Os mosquitos da dengue estão com seus dias contados

No dia 10 de Abril de 2014, o Brasil se tornou o primeiro país no mundo a aprovar o uso comercial de insetos geneticamente modificados (GM) para o combate dos mosquitos da dengue.
O vírus da dengue afeta diretamente cerca de 390 milhões de pessoas por ano em todo o mundo e causa náuseas, dor aguda e febre. Nos casos mais graves, pode ser hemorrágica, levando o indivíduo ao óbito. Não há nenhuma vacina ou medicação aprovadas para combater a doença e o controle do mosquito transmissor (Aedes aegypti) é difícil de ser fazer, pois esses circundam ao redor do local onde os humanos habitam. Métodos convencionais geralmente são usados, mas não resolvem o problema por completo.
Porém, a dor de cabeça parece estar acabando. A Oxitec – organização que visa o controle de insetos e pragas – de Oxford, Reino Unido, desenvolveu machos GM da espécie transmissora da doença com o intuito de que esses acasalem com fêmeas selvagens e tenham filhos que morram antes que atinjam a fase adulta. Se esses machos acasalarem com fêmeas suficientes, um acidente populacional poderá ocorrer, reduzindo drasticamente a chance de passagem do vírus da dengue para os humanos.Os testes com os insetos GM vinham sendo realizados pela Oxitec há um bom tempo e foi observada uma redução significativa na população dos mosquitos da dengue nas áreas tratadas. No Brasil, a cidade de Jacobina teve uma redução dos mosquitos em 79% entre Junho e Dezembro do ano de 2013, de acordo com a companhia.
Thomas Scott, um entomologista da Universidade da California, em Davis, diz que os mosquitos modificados podem ajudar, mas o principal problema da falha ao combate à dengue se deve ao método tradicional de pulverização do inseticida que geralmente não é feita corretamente. “Se você analisar áreas mais endêmicas, perceberá que as pessoas de lá não colaboram no controle das larvas”, ele diz. “No momento em que algum deles adoece, o vírus se prolifera a mais de 100 metros ao raio de onde o doente está”
Cobrir um país do tamanho do Brasil com os mosquitos geneticamente modificados poderia ser também algo absurdamente caro, ele adiciona. Porém, para o controle da dengue na escala de cidades, os insetos seriam extremamente úteis. Talvez esse seja um bom começo para utilizar métodos semelhantes destinados ao controle de diversas outras pragas.
Artigo publicado na New Scientist, com título Brazil approves use of genetically modified mosquitoes e com adaptações baseadas na publicação no site da Oxitec, com título PRESS RELEASE: Oxitec’s solution for controlling the dengue mosquito is approved by CTNBio.

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