Sem crise, deputados estaduais retiram quase R$ 1 milhão da saúde para colocar no FEM

Sem alarde, atendendo pedido dos deputados estaduais, o governador Paulo Câmara (PSB) editou decreto para retirar R$ 975 mil da saúde do Estado para colocar no Fundo de Desenvolvimento Municipal (FEM).
O ato foi assinado nesta terça-feira (26), tendo efeitos imediatos.
Geralmente, o FEM é usado pelos prefeitos para obras simples, sem repercussão econômica, como calçamento de ruas.
É um fundo criado pelo ex-governador Eduardo Campos, em 2013, para repassar dinheiro diretamente às prefeituras, sem burocracia.
O decreto 42.963, de 26/04/2016, é referente à redistribuição de 5 emendas parlamentares de 4 deputados.
Essa redistribuição é realizada por solicitação dos próprios deputados. Como a Legislação Orçamentária do Estado determina que as emendas parlamentares tenham caráter impositivo, cabe ao Estado somente cumprir as indicações feitas pelos parlamentares.

São elas:
nº 235 – R$ 30 mil – Para execução de calçamento de ruas em Glória do Goitá.
nº 445 – R$ 15 mil – Para reforçar o plano de trabalho em Paulista.
nº 349 – R$ 80 mil – Para pavimentação em paralelepípedo em Venturosa.
nº 234 – R$ 50 mil – Para execução de calçamento de ruas em Glória do Goitá.
nº 319 – R$ 800 mil – Para reforçar o plano de trabalho em São Lourenço da Mata.
Juntas, somam R$ 975 mil. 

A retirada de quase R$ 1 milhão da saúde estadual para o FEM veio mesmo com o Estado de Pernambuco vivendo uma das suas maiores crises na área de saúde na história. Denúncias sobre desabastecimento de hospitais estaduais chegam todos os dias nos jornais. Terceirizados estão com salários atrasados e falta matarias básicos para atendimento aos pacientes.
Desde sua criação, em 2013, o FEM está envolto em polêmicas. Nas eleições do ano passado, a oposição criticou várias vezes o uso do FEM para supostamente “cooptar” prefeitos. As eleições municipais ocorrem em outubro deste ano.
“Criaram o FEM 1 e o FEM 2. E agora estão querendo criar o VEM, que é uma forma de trazer a qualquer custo e de premiar os infiéis”, ironizou Armando Monteiro Neto, em abril de 2014, quando era candidato a governador.
Com a palavra a Assembleia, a quem cabe fiscalizar o uso dos recursos.

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