AS CINCO FACES DE YANE MARQUES NO PENTATLO MODERNO

O biotipo franzino não sugere o real potencial de Yane Marques, principal pentatleta não só do Brasil, mas também da América do Sul, e uma das melhores do mundo – não à toa é a sexta colocada no ranking mundial.
No esporte mais completo do programa olímpico, no qual é preciso regularidade em cinco modalidades para conseguir chegar ao pódio, a preparação é intensa. O ritmo de trabalho é frenético. Os treinos seguem uma rotina que leva à exaustão. São horas seguidas de braçadas na piscina, sucedidas de academia ou ainda uma programação que começa com treino de tiro e corrida, passando pela equitação e terminando com duelos de esgrima.
Yane assegurou a classificação para as Olimpíadas Rio 2016 ao conquistar o terceiro lugar no Campeonato Mundial 2015.
 
Foco e determinação são os combustíveis de Yane, que já tem mais de uma década de dedicação ao esporte. A meta é competir em alto nível em todos os eventos dos quais participa. Mas o ápice está próximo: os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a terceira participação olímpica da carreira da sertaneja de Afogados da Ingazeira e primeira oportunidade de competir em um evento de tal magnitude em casa. “Estou me dedicando de forma absurda, vivendo em função desse esporte. Tenho rezado muito para chegar ao meu objetivo e para que seja de forma leal e justa, senão não faz sentido”, destaca Yane.
A classificação antecipada para a Rio 2016, conquistada com o terceiro lugar no Campeo­nato Mundial de 2015, deu a Yane a tranquilidade de fa­zer uma preparação mais se­letiva. “Isso deu a possibilidade de programar melhor os treinos e escolher as competições”, destaca a pernambucana, que não esteve na última etapa classificatória da Copa do Mundo, 
por exemplo, por já estar classificada pa­ra a final, que acontece nesta semana, nos Estados Unidos.
Yane fez camping de treinos nos Estados Unidos para praticar principalmente a esgrima
Como já estava no roteiro a ida à terra do Tio Sam para a fi­nal da Copa, Yane aproveitou também para fazer um camping de treinos, no Colora­do. Essas viagens são bem comuns para ela, principalmente com ênfase na esgrima. “É a prova que abre a competição, então é importante começar pontuando bem. Os campings são muito importantes porque é uma modalidade que não depende apenas de mim, então quanto mais estilos enfrentar, melhor a preparação”, explica.
Apesar do cuidado nos treinos com a espada, é a corrida que exige atenção diferenciada da pentatleta. Para aumentar a resistência, o técnico Alexandre França a colocou até nas corridas de rua, com direito a título nos 10km da etapa Recife do PE na Pista do ano passado. “De fato, é uma prova que decide (a corrida é disputada junto com o tiro esportivo, no evento combinado, encerrando as disputas) e, infelizmente, é o meu calo. Por isso, treino praticamente de domingo a domingo. Meu objetivo para o Rio é melhorar a corrida, porque o pessoal lá fora está em um nível bastante avançado”, analisa.
 
Na natação, Yane costuma estar sempre entre os dez melhores tempos. A média atual dela é 2min12s, mas a meta é reduzir a cronometragem para os Jogos. “É audacioso, mas penso em 2min10s alto ou 2min11s.”

A torcida no Rio pode ser um diferencial a mais para a pernambucana. E, apesar de não ser possível treinar tal entrosamento, ela espera competir em conjunto com o público. “Quando você está bem, competir em casa é motivador, impulsiona. A pressão vem pelo desejo de retribuir àqueles que foram ali. Estou me preparando para chegar lá e fazer o meu melhor, para todos saberem que, independente do resultado, dei o meu máximo. Que vença o melhor. Eu sei reconhecer a vitória dos meus adversários. A tristeza é só quando a conquista não sai por algo que não depende de você”, completa a atleta, que em 2008, nos Jogos de Pequim, foi prejudicada pelo refugo do cavalo com quem formava conjunto (o animal é sorteado pouco antes da prova).( Irce Falcão, da Folha de Pernambuco)

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