Conselheiro Tutelar de Iguaracy defende a criação do Dia Municipal de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

 
No seminário realizado nesta quarta-feira (19/05), o Conselheiro Sérgio Coelho voltou a falar sobre a importância da criação do Dia Municipal de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no município de Iguaracy. Segundo o Conselheiro, é o mínimo que podemos fazer para que o estupro seguido de morte da jovem iguaraciense não fique em vão, já que infelizmente ficou impune. 
"O caso de Silene na época teve uma repercussão muito grande no interior de Pernambuco, porque foi uma violência sexual seguida de morte, porém, no município de Iguaracy, os casos corriqueiros de abusos e violência sexual contra crianças e adolescentes são assustadores para uma cidade tão pequena" disse o conselheiro.
Relembrando o caso Silene:
A Jovem Silene Souza Gomes, na época com 14 anos de idade, em um domingo do dia 06 de outubro de 2012, dia de eleições para governador e presidente, enquanto a sua mãe e padrasto, juntamente com demais familiares foram para cidade participar da votação, ficou sozinha em sua residência no Sítio Barra, zona rural do município de Iguaracy, onde foi estuprada e morta através de "suposta" asfixia, o corpo foi encontrado pelo padrasto, que logo após votar, voltou para a residência, deixando na cidade a esposa e o resto da família.
Na época do ocorrido, a saudosa delegada que prefiro ausentar o seu nome nesta matéria, e que atendia o caso, acreditou que já tinha o culpado em suas mãos, o padrasto que inclusive estava com suas botas sujas de sangue, e por isso não achava necessário que o corpo fosse encaminhado ao IML. 
Este blogueiro, Sérgio Coelho de Freitas, que na época já atuava como conselheiro tutelar, fez várias tentativas com o objetivo que o corpo fosse encaminhado para o IML,  inclusive ligou para o Promotor de Justiça, porém, após este falar com a delegada, retornou a este conselheiro dizendo que a mesma citou que as atribuições como delegada seria dela e não dele como promotor, até o prefeito de Iguaracy, na época Francisco Dessoles Monteiro, tentou intervir na situação e convencer a realização de uma pericia mais aprofundada, porém a decisão de autorizar o sepultamento da vítima já tinha sido dada. 
O enterro que seria por volta das 9 horas da manhã, com o apoio de estudantes das redes de ensino que produziram faixas e cartazes, conseguimos ir atrasando hora após hora e só foi realizado na parte da tarde, quando já estava bastante inchado e exalava um odor muito forte e também já não havia mais nenhuma esperança que outros fatos viessem a tona. Na época, haviam muitos comentários de amigos e familiares que o padrasto realmente não teria capacidade de cometer tal crime e que a jovem vinha sendo assediada por outra pessoa, porém, o medo fez com que  todos se calassem principalmente perante a Delegada. Tempos depois, o padrasto foi inocentado, e outras pessoas chegaram a serem ouvidas como acusadas, porém, o principal sempre faltou, o DNA do criminoso que com certeza foi morar na sepultura junto com o corpo da adolescente. Até hoje, a autoria do crime permanece um mistério.
A falta de denuncia por parte da vítima enquanto ainda podia e o silêncio de alguns, acabou por estimular a prática do crime e logo após decretar a impunidade do(s) criminoso(s).  
Quem comete um crime tão hediondo é porque se considera acima de qualquer suspeita, por isso a importância da denuncia antes que o pior aconteça!
O Caso de Araceli:
No dia 18 de maio, o Brasil inteiro realiza campanhas onde relembram um fato ocorrido e que acabou virando um marco nacional em combate ao abuso e a violência Sexual. Em 1973, na cidade de Vitória (ES), uma menina de nome Araceli, com apenas 8 anos de idade, foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado e os seus agressores nunca foram punidos.
Com a repercussão do caso, e forte mobilização do movimento em defesa dos direitos das crianças e adolescentes, 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Desde então, esse se tornou o dia para que a população brasileira se una e se manifeste contra esse tipo de violência.
DUAS VÍTIMAS - UM SÓ CRIME:
 
 "O abusador não escolhe a cidade, escolhe a vítima".
Da mesma forma, compreendemos que seja justo que o caso de SILENE, seja integrado no calendário do município como um marco municipal para se trabalhar o tema do abuso e da violência sexual, haja visto que é um caso nosso e merece nossa lembrança e atenção, principalmente porque mostra que fatos terríveis como este não acontecem somente em cidades grandes ou distantes, como foi no caso de Araceli, mas que pode acontecer também muito próximo de nós, assim como aconteceu com Silene, pode acontecer com qualquer outra pessoa de nossa querida Iguaracy.
 
Se for aceita a proposta da criação da Lei encaminhada ao prefeito Francisco Dessoles Monteiro, o Dia Municipal de Combate a Violência Sexual de Crianças e Adolescentes manterá viva a memória do caso SILENE, reafirmando o compromisso dos órgãos públicos municipais e escolas que terão mais um dia especial para promoverem atividades em busca de conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a gravidade da violência sexual e como combatê-la através das denuncias.
O caso de Silene Gomes, ainda causa indignação e revolta na sociedade, e com a criação de um dia em sua homenagem, isso chamará a atenção de toda a nossa população para essa problemática, considerando ao mesmo tempo, que nossa cidade passará a ter dois momentos para trabalhar o tema por ano, em maio e agosto, e isso estimulará ainda mais o desenvolvimento de trabalhos que giram em torno desse problema, possibilitando às crianças conhecerem mais sobre o que caracteriza a violência sexual, como ele ocorre, quais são os danos, quais são as formas de denunciar e que existem pessoas que podem as ajudar em caso de necessidade, valorizando assim o apoio em todos os sentidos, dando voz aos pequeninos, principalmente aqueles que frequentemente estão em situação de maior vulnerabilidade e risco social”.

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