Pernambucano tem sucesso em tratamento inovador contra hipertensão pulmonar

JC OnlineAbrahão Barbosa começou tratamento com nova droga no final de 2015. Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem.
“Agora posso levar uma vida normal.” É assim que se sente o ex-motorista de ônibus Abrahão Barbosa, 59 anos, portador de hipertensão arterial pulmonar (HAP), doença crônica que diminui o fluxo sanguíneo no corpo e causa cansaço extremo. Há cinco meses, Abrahão foi o primeiro paciente no Brasil a receber um tratamento inovador que aumenta em dez vezes a sobrevida dos portadores da doença. Na última quinta-feira (5), foi celebrado o Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar e o êxito do pernambucano, além de ser comemorado, deve servir para chamar a atenção para a patologia, ainda desconhecida pela maioria dos brasileiros.
A doença é caracterizada pelo estreitamento das artérias pulmonares, o que atrapalha o transporte de sangue para o coração, levando a um aumento da pressão arterial. O coração fica sobrecarregado e a circulação de sangue para o restante do corpo, comprometida. Esse processo resulta nos principais sintomas da HAP: falta de ar, dor na região torácica e fadiga. Os sintomas muitas vezes se confundem com os da asma, bronquite ou insuficiência cardíaca e o paciente acaba demorando a procurar tratamento. Em estágios avançados e sem rápido diagnóstico, a sobrevida chega a seis meses.Abrahão teve os sintomas seis anos atrás. “Tudo era difícil. Caminhar e até mesmo falar era um desafio”, conta. Após várias consultas, ele chegou ao cardiologista do Pronto Socorro Cardiológico (Procape) Adriano Mendes, referência no assunto e que há mais de 15 anos coordena com outros médicos pesquisas sobre hipertensão pulmonar.
O acompanhamento de 166 pacientes em estágio avançado, entre eles Abrahão, mostrou a eficácia do tratamento com novas drogas. A terapia é custeada pelo Sistema Único de Saúde (Sus), já que se trata de ação de alto custo. “As drogas remodelam os vasos pulmonares, liberam mais oxigênio e sangue para o coração, reduzindo a pressão arterial”, esclarece o médico.
Um dos remédios é o Macitentana. “A droga tem potência de 6 a 7 vezes maior que outras drogas disponíveis. Além de reduzir a mortalidade, melhora a qualidade de vida dos doentes”, ressalta o médico. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento é distribuído pelo governo federal aos pacientes em estágios mais desenvolvidos da HAP.
O primeiro paciente a receber o medicamento no Brasil foi Abrahão. “Depois desse remédio eu me sinto muito realizado. Melhorou muito meu estilo de vida, hoje eu caminho bastante, viajo. Levo uma vida normal dentro do possível. É ótimo”, comemora. Apesar da evolução com os medicamentos, é contraindicado para os pacientes atividades pesadas, viagens para locais de altitude elevada e o fumo.
De acordo com uma pesquisa realizada em sete capitais brasileiras pela Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de Hipertensão Pulmonar (Abraf), 76% dos brasileiros desconhecem a doença. Estima-se que a hipertensão pulmonar afete de 1,6 mil a 8 mil pessoas no Brasil e de 8 milhões a 40 milhões no mundo. Para marcar o Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar e estimular a conscientização sobre a doença, foi criada a campanha internacional “Um fôlego para a Vida”. Hospedada na plataforma digital Thunderclap, os internautas podem abri espaço em suas redes sociais para divulgar a doença.

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