Crise econômica de 2002 fez TV por assinatura quase acabar no Brasil

"Eu Paguei Pra Ver" relembra histórias e curiosidades da TV paga brasileira
A principal reclamação das operadoras de TV por assinatura do Brasil atualmente é de que a grave crise econômica que o país vive tem derrubado o número de assinantes - que caiu 4% em um ano, como noticiou o NaTelinharecentemente.
Porém, se em 2016 as coisas estão difíceis, em 2002 a coisa foi muito pior. Como é notório, a grande maioria das programadoras de TV paga no Brasil são estrangeiras. Em 1994, quando o mercado começava no país, o Plano Real estabilizou a moeda e a deixou com praticamente o mesmo valor do dólar, o que favorecia essas empresas, que pagavam tudo com o dinheiro americano. Com isso, elas apostaram cada dia mais em equipamentos e formas de transmissões mais modernas, além de trazer cada vez mais canais.
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O problema foi quando a moeda desvalorizou completamente. Em 2002, o dólar chegou a valer quase 4 reais, o que inflacionava não somente a compra de equipamentos, mas também as dívidas que estes canais tinham. O valor do "tombo" foi repassado aos assinantes, que já eram poucos. O número de assinantes começou a cair e não se tinha noção na época de quando subiriam mais uma vez. Aliás, apenas uma coisa aumentou na época: a dívida das operadoras.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo em 16 de agosto de 2002, a dívida da Net na ocasião subiu 275% em apenas três meses. Em abril ,era de 83 milhões de reais. Em julho já somava mais R$ 312 milhões. Neste mesmo período, a operadora também teve uma queda bem brusca em suas receitas de TV paga e internet - mais exatamente de 2,1%.
Na ocasião, a redução no número de assinantes foi muito parecida com a de 2016. Em abril de 2002, havia 1,398 milhão de assinantes. Em agosto, apenas 1,266, uma queda de 3%.
O jeito na época foi as operadoras renegociarem seus contratos com as programadoras por valores menores. Executivos diziam na imprensa que, se isso não fosse feito, a TV por assinatura no Brasil corria risco de chegar ao fim, porque as dívidas estavam ficando estratosféricas e não seriam possíveis pagá-las.
Hoje, é difícil que isso aconteça. O mercado é bem maior e muito mais solidificado. Mas a crise é, inegavelmente, a mais grave depois do que houve em 2002. 
Por Gabriel Vaquer

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