Novo tumulto na Penitenciária Juiz Plácido De Souza, em Caruaru, PE

Novo tumulto na Penitenciária Juiz Plácido De Souza, em Caruaru, PE. Foto: Reprodução
Folha PE
O tumulto desta segunda foi contido por agentes da unidade no fim da manhã. A situação foi tensa durante todo o período. De acordo com a vice-presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário do Estado de Pernambuco (Sindasp-PE), Márcia Silva, que está no local, no momento é feita uma revista dentro do presídio.
Ainda segundo Márcia, após o motim, ao todo nove feridos foram encaminhados ao Hospital Regional do Agreste, também em Caruaru, enquanto que os que puderam ser atendidos dentro da unidade prisional receberam atendimento lá mesmo.
Policiais do Grupo de Operações de Segurança (GOS) foram ao local. Agentes da unidade alertaram que os presos tentaram tomar a parte superior do presídio.
Em entrevista na manhã desta segunda-feira, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado, Pedro Eurico, confirmou que o motivo deste tumulto, bem como do que ocorreu no último sábado, seria a atuação de uma milícia dentro da unidade prisional. “É uma facção que luta pelo controle da cadeia”, afirmou. Ele também afirmou que os que insistirem em manter a desordem devem responder por seus atos. “Não vamos admitir que bandido tenha controle de prisão”, disse.
Agentes penitenciários de folga foram chamados de urgência para ajudar na contenção do tumulto. A convocação foi feita pelo WhatsApp e os agentes em serviço pediram para que os que fossem ajudar levassem coletes à prova de balas e armas, já que a unidade não dispõe mais de material.
A confusão começou na tarde do último sábado (23). Os reeducandos denunciaram que um grupo, comandado por chaveiros (presos que têm chaves das celas) estaria comandando a unidade. Revoltados, os detentos se rebelaram.
Imagens da barbárie foram compartilhadas durante todo o fim de semana por aplicativos de mensagens. Fotos e vídeos de presos decapitados e queimados foram enviados junto com reclamações sobre a existência dos chaveiros.
Segurança
Agentes que trabalham no sistema penitenciário do Estado denunciam que não há efetivo suficiente para, em uma situação com esta, controlar e socorrer os presos ao mesmo tempo.
Segundo o presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenciário do Estado de Pernambuco (Sindasp-PE), João Carvalho, a Penitenciária Juiz Plácido de Souza tem média de seis agentes por plantão, para lidar com 1,9 mil presos. O ideal, de acordo com ele, seria ter 80 agentes. “A unidade tem muitos pavilhões, os agentes não têm como tomar conta de todos”, alerta.
João Carvalho afirma que o déficit, no Estado, é de três mil agentes. “Pernambuco tem 31 mil detentos e 1,5 mil agentes, distribuídos em 22 unidades prisionais e 46 cadeias públicas. Para se ter ideia, a Paraíba tem cerca de 8 mil presos e 1,9 mil agentes”, cita. Para o presidente do Sindasp, essa deficiência ocasiona os problemas que vêm ocorrendo. “Sem a presença adequada do Estado nas unidades, os presos começam a ter o comando dos presídios e começa a existir, por exemplo, tráfico, prostituição e extorsão”, completa.
Identificação
Dois dos presos mortos durante a rebelião do último sábado (23) na Penitenciária Juiz Plácido de Souza foram identificados nesta segunda-feira (25). Eles são Fábio Geraldo de Barros, de 44 anos, e Ivanildo Alves de Oliveira, 45. Seis detentos foram mortos no tumulto. Dois corpos ainda aguardam confirmação no Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru e outros dois foram transferidos para o IML do Recife.

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