Remédio vermífugo pode combater o zika, diz pesquisa

Um medicamento vermífugo utilizado contra a solitária seria capaz de bloquear a propagação do vírus zika, diz um estudo divulgado na revista Nature Medicine nesta segunda-feira (29). O trabalho seria o primeiro a mostrar um remédio que poderia tratar a infecção viral, que provoca mal-formações cerebrais em fetos.
“É um primeiro passo para um tratamento que pode parar a transmissão da doença”, explica o professor Hengli Tang, da Universidade estadual da Flórida, e quem liderou o estudo.
Ao invés de tentar uma nova droga, os pesquisadores da FSU, da John Hopkins University e do National Institute dos Estados Unidos examinaram detalhadamente 6 mil moléculas que já tinham sido aprovadas nos Estados Unidos e eram agora objeto de testes clínicos.
“Nós nos concentramos nas moléculas mais próximas de uso clínico”, explica Tang. A ideia do estudo era encontrar algo que fosse eficaz e já estive “quase pronto” para ser usado.
Durante o trabalho em laboratórios com a células infectadas pelo zika, as equipes descobriram dois tipos de substâncias, um capaz de bloquear a multiplicação do vírus e o outro para evitar a morte das células infectadas (útil porque, se o organismo for tomado pelo vírus e as células infectadas morrerem, o paciente morre junto).
Na primeira categoria é a niclosamida, uma substância medicamentosa ativa já comercializado para o tratamento de tênia (ou solitária) há meio século. A segunda é o emricasan, um tratamento experimental para a fibrose hepática, atualmente em teste clínicos.
As duas classes de substâncias deram resultado preventivos e após a exposição à Zika e com vantagens importantes quando eles foram usados em conjunto. Embora a niclosamida seja bem tolerada e não apresente riscos para o feto, de acordo com estudos realizados em animais os pesquisadores não a recomendam para mulheres grávidas.
“Ainda não temos evidências de que a niclosamida é eficaz. Estudos em animais e clínicos em humanos ainda são necessários”, disse à AFP Hongjun Song, um dos co-autores do estudo. Quanto ao emricasan, ele deve ainda “seguir o processo normal de desenvolvimento de drogas, e que vai levar algum tempo”, acrescentou.
Sem vacina ou tratamento
Não existe vacina ou tratamento contra Zika. Transmitido por mosquitos Aedes aegypti, o vírus causou uma epidemia que já afeta 1,5 milhões de pessoas no Brasil. Benigna para a maioria das pessoas, a doença é considerada responsável por complicações neurológicas e anormalidades especialmente graves no desenvolvimento do cérebro (microcefalia) em recém-nascidos cujas mães foram infectadas pelo vírus (em mais de 1.600 casos de bebês nascidos recentemente no Brasil).
Além mulheres grávidas, a niclosamida poderia, dizem os pesquisadores, também ser usado “para reduzir a carga viral entre homens e mulheres não grávidas, a redução da transmissão Zika e também poderia evitar casos de síndrome de Guillain Barré (doença auto-imune) e outras complicações em seres humanos”.
A síndrome de Guillain-Barré causa uma condição de nervos periféricos caracterizadas por grande fraqueza e até pode causar paralisia progressiva. “Nossas descobertas e ferramentas devem significantemente avançar a investigação em curso sobre o Zika, e têm um efeito imediato sobre o desenvolvimento de tratamentos” contra o vírus, os cientistas concluem no trabalho.

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