TV Asa Branca (afiliada da rede Globo) quer obrigar jornalistas/repórteres a dirigir carros de reportagem

A TV Asa Branca, afiliada da TV Globo em Caruaru, com sucursais em Serra Talhada e Garanhuns, de propriedade do ex-deputado Inocêncio Oliveira, quer transformar os jornalistas em motoristas. Os responsáveis pela cota do ex-deputado é a filha Shirley Oliveira e o neto Victor Oliveira, candidato a prefeito em Serra Talhada, que inclusive passou vários dias na sede da empresa para entender como funciona a parte administrativa.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) denuncia que a empresa hoje quer acumular outra função, além da área de formação e já começa a colocar em operação uma estratégia. Como se não bastassem os baixos salários, surge agora mais essa exploração.
Além de irem ao local da notícia, fazer a apuração, tirar fotos para as matérias online, escrever e gravar offs e passagens, os repórteres podem se ver obrigados a dirigir o veículo que vai transportá-los para o local onde será realizada a matéria. Quem é repórter sabe que atualmente é impossível acumular mais esta atividade no dia a dia. A urgência, essencial ao trabalho de campo, torna praticamente inviável que o profissional ainda tenha a responsabilidade de conduzir o veículo estando sujeito a responsabilidade de arcar com as multas e também acidentes durante o desempenho de de mais essa atribuição.
Todos os que fazem televisão sabem da importância de ter um profissional do volante devidamente qualificado para esse fim e a necessidade do auxílio do motorista nas coberturas externas. Vale frisar que a TV Asa Branca já impõem aos repórteres cinematográficos (cinegrafistas) assumir essa tarefa que não é inerente a sua função, com prejuízo para a qualidade do trabalho desses profissionais que são tão pressionados diariamente quanto os repórteres.
Tanto o repórter quanto o cinegrafista trabalham com a cobrança de agilidade no envio da reportagem para a emissora, o que torna a função de motorista incompatível para o exercício das respectivas funções.
Para impedir essa prática danosa da TV Asa Branca contra seus integrantes da equipe de reportagem, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) agendou uma reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir emergencialmente essa situação inaceitável.
A presidente do Sinjope, Cláudia Eloi, considerou a iniciativa um abuso por parte das empresas. “ Imagine um médico do Samu ter que dirigir a ambulância e ao mesmo tempo atender um paciente. Isso é um claro desvio de função e as entidades de proteção ao cumprimento às leis trabalhistas deverão ter a sensibilidade de reconhecer que os profissionais não podem ser mais penalizados. Somem-se a isso as já precárias condições de trabalho e baixos salários”, disparou a presidente do Sinjope. (Blog do Luiz Carlos)

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