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Médico da UPA já acumula cinco denúncias de estupro em Pernambuco

 
O traumatologista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira (Zona Sul do Recife) suspeito de estuprar uma paciente já acumula cinco denúncias de crime sexual. Todas as vítimas teriam sido estupradas durante o horário de atendimento dele. As mulheres começaram a procurar a Polícia Civil de Pernambuco depois que a primeira, uma jovem de 18 anos, denunciou o profissional.
O material coletado nela já foi confirmado como sêmen, conforme informações divulgadas em coletiva de imprensa realizada na última segunda-feira (26). O médico, porém, segue em liberdade porque ainda falta fazer o confronto com o DNA dele. O homem, que não foi identificado, já é considerado um “criminoso em série que se aproveitava de sua função para molestar pacientes”.
“Parece que estamos diante de um serial, de uma pessoa que utiliza a função médica para praticar crimes”, observou o chefe da Polícia Civil, delegado Joselito Kehrle, acrescentando que esse caso foge dos similares de estupro que usualmente chegam para a polícia. “Geralmente é algum conhecido, alguém próximo da vítima”, disse.
Ainda segundo Kehrle, três vítimas já procuraram a 1ª Delegacia de Polícia de Prevenção e Repressão aos Crimes contra a Mulher e outras duas teriam prestado depoimento ontem. “Saliento que encontramos perfil genético masculino, amostras de material orgânico recolhidas no corpo da primeira vítima. Precisamos partir para o confronto com o DNA dele e teremos uma prova material da participação do médico”, falou.
Para a gestora do Departamento da Mulher, Gleide Ângelo, o inquérito sobre os crimes sexuais relacionados à UPA da Imbiribeira deve ser concluído rapidamente. Sem dar detalhes, ela informou que vários depoimentos foram dados e várias colaborações foram feitas para a elucidação do crime.Quando a denúncia contra o profissional de saúde foi feita, no último dia 21, o flagrante já havia expirado, o que colaborou para ele não ser preso imediatamente. O suspeito teria se comprometido a se apresentar na última sexta-feira, o que não ocorreu. Segundo a polícia, os depoimentos já são suficientes para indiciá-lo por estupro. Caso ele não vá à delegacia, pode ser considerado foragido. “Se não houve participação ou culpa, que ele se apresente e forneça material orgânico para confronto”, comentou Kehrle.
O médico, que não teve o nome revelado, foi afastado do trabalho na UPA. Paralelamente à investigação criminal, o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) também apura a conduta éticoprofissional do suspeito. Uma sindicância já iniciada ocorre em sigilo. A apuração administrativa pode cassar o diploma do médico.
Medo
Entre os depoimentos já prestados sobre o possível estuprador serial da UPA, está o de parentes da jovem de 18 anos, primeira vítima a quebrar o silêncio, na última semana. Ontem, uma tia dela compareceu à delegacia para dar novos esclarecimentos sobre o crime que tem tirado o sono da família e o da jovem. “Ela está muito triste e nervosa, principalmente porque teme que as pessoas a apontem como culpada por tudo isso. Quando a gente toca no assunto ela começa a chorar e não quer mais sair de casa”, disse a dona de casa.
A tia afirmou ainda que a sobrinha nunca havia tido contato com o médico em questão. “Queremos que ele pague, que seja preso. Nosso sentimento é de revolta, porque a gente procura um atendimento e acontece um negócio desse. É um monstro.”
Representante do Fórum de Mulheres de Pernambuco, a cientista política Natália Cordeiro destacou que é preciso combater julgamentos sociais direcionados às vítimas, como o que teria gerado o abuso e os porquês da não reação imediata à violência. “A tendência é que se questione sempre a mulher, o comportamento da vítima. Algumas pessoas acabam naturalizando esse tipo de coisa. Até porque, na maioria das vezes, são crimes sem testemunhas e fica a palavra de um contra a do outro”, comentou.
Natália destacou ainda que todas as mulheres são vulneráveis à violência sexual, mas alguns segmentos sociais acumulam mais desvantagens e podem correr risco maior. São exemplos desse perigo ampliado àquelas com menor nível educacional e cultural e que podem se ver encurraladas na hora de denunciar um abusador que possui um capital social e intelectual maiores. “Fazer a denúncia passa por questões ligadas à subjetividade, além das questões materiais, de instrução, de conhecimento de direitos”.
Para a cientista, o fato de o agressor ser um médico ainda traz outras polêmicas para o caso, uma vez que a profissão é revestida de respeito, idoneidade e confiança.
Da Folha de Pernambuco
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