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Complexa, cirurgia em Bolsonaro deve tirá-lo da campanha de 1º turno

Uol
A cirurgia a que o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido após atentado a faca na tarde desta quinta-feira (6) foi de “alta complexidade”, segundo especialista entrevistado pelo UOL. Médico-cirurgião do aparelho digestivo do Hospital de Base do Distrito Federal, especializado em traumas, Igor Vieira explica que Bolsonaro passou por uma “laparotomia exploradora”, o nome da cirurgia “de grande porte” que lhe abriu o abdome para “vasculhar a região até chegar ao diagnóstico”.
Segundo o cirurgião, Bolsonaro precisará ficar em repouso por até um mês, tirando o candidato da campanha de corpo a corpo até o dia do primeiro turno das eleições, em 7 de outubro.
De acordo com a Globo News, o candidato sofreu uma lesão na artéria mesentérica, responsável por levar sangue ao intestino. Mas o ferimento mais grave ocorreu no intestino delgado: três ferimentos que obrigaram os médicos a realizarem uma ileostomia, quando uma bolsa é acoplada ao abdome. “O intestino delgado tem três porções: duodeno, jejuno e íleon. Na cirurgia, pega-se uma parte do íleon e, em vez de costurá-lo, coloca-o para fora do abdome em uma bolsa onde as fezes são depositadas”, explica o médico.
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A decisão pelo uso da bolsa se deve à contaminação por bactérias ocasionada pelos cortes. Vieira explica que o intestino é colonizado por bactérias. Com a perfuração, elas contaminam todo o abdome.
Se a cirurgia foi feita de maneira adequada, ele ainda correrá risco de infecção por pelo menos sete dias. Igor Vieira, médico-cirurgião do aparelho digestivo do Hospital de Base do Distrito Federal
Os médicos tinham a opção de costurar o íleon, mas a contaminação provavelmente infeccionaria a intervenção, obrigando os médicos a realizar uma nova cirurgia. “Ele precisará de seis semanas para tirar a bolsa”, estima o médico. “Depois do procedimento, ele deve ter recebiido antibióticos de amplo espectro, capaz de proteger contra uma larga gama de bactérias.”
Bolsonaro também foi tratado de uma forte hemorragia, que, segundo seu filho Flávio Bolsonaro, derrubou sua pressão arterial para 10/3, “quase morto”. Ele precisou receber duas bolsas de sangue por transfusão. “A hemorragia foi controlada amarrando os vasos, o que chamamos de ligadura. É no mínimo uma hemorragia média. Em seguida, lava-se a região com soro fisiológico”, diz Vieira.
O médico afirma que provavelmente não foi possível ver o sangue nos vídeos gravados do esfaqueamento porque o “sangramento grave foi interno”. “Nem sempre o sangramento externo é grande nessas ocasiões.”
Após a cirurgia, Bolsonaro foi encaminhado para a CTI (Centro de Terapia Intensiva). “Se tudo der certo, ele fica internado no hospital por sete dias. Depois, ele vai para casa, onde precisará de duas a três semanas de repouso”, diz o médico, que diz não acreditar que o candidato reúna condições para fazer campanha de rua até o dia 7 de outubro.
A operação cortou músculos, que precisam de quatro semanas para cicatrizar sob a pele. “O candidato ficará pelo menos um mês de molho porque, quando sair do quadro inicial, ele vai precisar de repouso.”
Uma transferência de Bolsonaro ainda vai ser analisada. Há uma probabilidade de ele ser enviado ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
De acordo com Vieira, o pós-operatório “dói, ele vai perder peso, terá dificuldade em ficar de pé, não vai poder caminhar por muito tempo”.
Campanha andando pra lá e pra cá vai ser muito difícil. A costura pode abrir por vários fatores, como infecção e baixa nutrição. Se arriscar, ele pode terminar com uma hérnia na cicatriz e uma nova cirurgia será necessária
Igor Vieira, médico-cirurgião do aparelho digestivo do Hospital de Base do Distrito Federal
A princípio, Flávio Bolsonaro chegou a dizer que o fígado do candidato havia sido atingido, mas a lesão na região foi descartada. Embora o estado do paciente seja grave, ele está fora de risco.
Reproduzido por Blog Tv Web Sertão
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