Rio teve o feriado prolongado com mais visitantes desde o início da pandemia, e turistas e cariocas lotam as praias

Praia de Ipanema ficou lotada Foto: Gabriel de Paiva
A advogada paulista Luciana Lopes Dolci, de 42 anos, tinha um crédito não utilizado em uma companhia aérea, acumulado por conta das restrições em virtude da pandemia da Covid-19. Com o cenário melhorando devido ao avanço da vacinação, que reduziu o número de casos, mortes e internações, ela não teve dúvidas: aproveitou o feriadão da Proclamação da República para passar uma semana no Rio, cidade que ainda não conhecia.
— Em São Paulo a máscara ainda é obrigatória, mas aqui já liberou ao ar livre. E vemos que, infelizmente, nem todos cumprem os protocolos para os ambientes fechados. Mas tá tudo bem. Acho que quem vem, nesse momento, tem que assumir um pouco do risco e tomar os cuidados que julgar necessários, que é o que estamos fazendo. Só viajamos porque estamos com o ciclo da vacina completo, por exemplo. Aos poucos precisamos retornar a alguma normalidade, tanto para a nossa cabeça quanto para ajudar a reaquecer a economia — explicou Luciana, que chegou ao Rio na última quinta-feira com uma amiga e ficará na cidade até quarta.
Na manhã desta segunda-feira, as duas curtiram o sol em Ipanema, onde a orla ficou completamente tomada por cariocas e turistas. Era difícil até mesmo achar um espaço na areia sem barracas de praia. Um reflexo da ocupação da rede hoteleira, que, no município do Rio, chegou a 95%, segundo dados da Associação de Hotéis do Rio de janeiro (ABIH-RJ), transformando o feriado prolongado no melhor para o setor desde o início da pandemia.
A maior parte dos visitantes, assim como Luciana, vem do estado de São Paulo, seguidos pelos de Minas Gerais. Com as limitações para viagens internacionais ainda mais presentes, a ABIH-RJ estima que 98% dos turistas que vieram ao Rio para o feriadão são brasileiros. Ainda assim, já voltou a ser comum ouvir idiomas estrangeiros nos principais pontos turísticos, em especial de visitantes dos Estados Unidos e de vizinhos sul-americanos, como Argentina, Chile e Colômbia.
Na cidade do Rio, a realização da Maratona e da Meia Maratona da cidade ajudou a impulsionar a ocupação dos quartos de hotel. Os bairros com maior procura, ainda de acordo com a associação, são Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, Flamengo, Botafogo e São Conrado, todos na Zona Sul; a Barra da Tijuca, na Zona Oeste; e o Centro.
— Estamos comemorando o melhor feriado prolongado desde o início da pandemia. A maratona, sem dúvidas, é um evento de peso que trouxe muitos visitantes, mas já sentimos um incremento representativo na procura geral, o que só reforça nossas expectativas para um verão que vem consolidar, de uma vez por todas, a retomada do turismo — diz Alfredo Lopes, presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município (Hotéis Rio) e conselheiro da ABIH-RJ.
A retomada não se deu apenas na capital. As turísticas Cabo Frio, na Região dos Lagos, e Paraty, na Costa Verde, também registraram ocupação da rede hoteleira acima dos 90%. Arraial do Cabo e Búzios, também na Região dos Lagos, tiveram desempenho igualmente positivo, com 85% das acomodações reservadas, mesmo índice alcançado por Miguel Pereira, no Vale do Café.
— Além da Costa do Sol e da Costa Verde, as regiões de Agulhas Negras, Serra Verde Imperial e Vale do Café estão registrando ótimos índices de ocupação hoteleira. Isso mostra que há procura tanto por atrativos do litoral, quanto da serra, indicando que a diversidade natural do Rio, e as múltiplas experiências proporcionadas por seus 92 destinos, atrai os visitantes — comemorou Gustavo Tutuca, secretário estadual de Turismo do Rio. (Extra)

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