Lula quer impedir mais um passeio de Bolsonaro nas redes sociais durante as eleições

Na sua campanha presidencial em 2018, Jair Bolsonaro reinou absoluto nas redes sociais, impulsionado por uma militância digital comandada por seu filho Carlos Bolsonaro, tema de uma reportagem da nova edição de VEJA. O trabalho do Zero Dois, que exerce mandato de vereador pelo Rio, foi decisivo para o sucesso do ex-capitão, que tinha menos de dez segundos na propaganda eleitoral de TV e divulgou sua campanha basicamente pelas redes.
Em 2022, a goleada a favor de Bolsonaro não deve se repetir, mas até o PT reconhece que não conseguirá nem mesmo empatar o jogo. A estratégia de Lula é reduzir danos e perder de pouco nesse campo. “Carlos é um gênio”, diz um conselheiro do ex-presidente, reconhecendo a eficácia do trabalho do vereador, que consiste em exaltar a figura do pai, enaltecer as realizações do governo e atacar os adversários — com argumentos verdadeiros ou não. O elogio do conselheiro de Lula não é um caso isolado. Numa conversa reservada depois de ser demitido da função de marqueteiro da campanha presidencial do PT, Augusto Fonseca reconheceu a força do bolsonarismo digital: “Eles estão muito bem organizados e fazem o trabalho de forma mais profissional”.
Escaldado pelo desempenho em 2018, o PT quer reduzir a desvantagem no universo digital o máximo que puder. Como não tem uma rede tão numerosa e organizada quanto a bolsonarista, o partido pretende pegar carona em influenciadores e artistas com grande número de seguidores. A ideia é que estes, e não os políticos e integrantes do partido, comandem o embate com o rival no universo digital. É por isso que Lula, de uns tempos para cá, passou a postar fotos com celebridades e a interagir com elas. É por isso também que Bolsonaro, vez ou outra, comenta com ironia ou irreverência a mensagem do artista que se manifesta a favor de Lula. O presidente aposta na “lacração” para tentar neutralizar a tática petista.
O duelo entre as tropas dos favoritos na sucessão presidencial tem sido acirrado. Entre 4 e 24 de abril, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV identificou 37,7 milhões de interações e visualizações nos perfis dos pré-candidatos à Presidência. No período, o grupo de apoiadores de Lula foi responsável por 37,53% dos perfis que participaram do debate, mais até do que o percentual de aliados de Bolsonaro (35,23%). O problema é que os bolsonaristas foram mais ativos e responderam por 58,63% das interações, contra 30,27% dos petistas.
“Pode-se falar o que quiser de Carlos, mas ele sabe lidar com isso. O bolsonarismo nada de braçada nessa área, tem capacidade de verbalizar a imagem que atrai nas redes e reter audiência muito maior que outras campanhas”, diz o cientista político Cláudio Couto, da FGV. “Mas os outros candidatos ficaram mais escolados do que no passado. A vantagem que Bolsonaro teve nessa área em 2018 não vai ser tão grande desta vez”. A conferir.

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