Ucrânia anuncia ‘pior perda militar’ na guerra contra a Rússia

A Ucrânia reconheceu nesta segunda-feira, 23, uma de suas piores perdas militares desde o início da guerra contra da Rússia. Em um único ataque russo a um quartel, 87 soldados ucranianos foram mortos. O anúncio de que dezenas morreram demonstrou a capacidade do país de Vladimir Putin de infligir enormes perdas à nação vizinha, mesmo longe do front.
A notícia sobre as dezenas de militares mortos num único ataque foi dada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante um discurso para líderes empresariais em Davos, na Suíça, nesta segunda-feira. Segundo o chefe de Estado, na semana passada, forças russas invadiram uma base de treinamento que abrigava tropas da Ucrânia em um quartel no norte do país.
O número de baixas dessa ofensiva foi mais que o dobro do número de mortos em um ataque semelhante a uma base de treinamento ucraniana em Yaraviv, no oeste, em março.
Analistas militares ocidentais especulam que a guerra na Ucrânia está entrando em uma nova fase, com Moscou tendo capturado totalmente cidade de Mariupol na semana passada, sua maior vitória após um cerco de três meses. Segundo os especialistas, o esforço russo irá se concentrar agora em capturar a região oriental conhecida como Donbas, dominada por separatistas pró-Rússia.
Na semana passada, centenas de combatentes ucranianos finalmente se renderam em Mariupol, após um cerco de quase três meses na gigante siderúrgica Azovstal. Autoridades ucranianas acreditam que dezenas de milhares de pessoas morreram no cerco da cidade de mais de 400.000 pessoas, que se tornou símbolo da destruição da guerra. Um assessor do prefeito da região disse que os moradores restantes estão agora em perigo de doenças, pois os esgotos transbordam em meio às ruínas.
A Ucrânia vem tentando garantir uma troca de prisioneiros por combatentes que se renderam na siderúrgica. O líder dos separatistas pró-Rússia no controle da área disse que os soldados ucranianos seriam julgados por um tribunal, mas um vice-chanceler russo foi citado dizendo que Moscou poderia discutir uma troca.
Em Kiev, um tribunal condenou à prisão perpétua um soldado russo que se declarou culpado de matar um civil ucraniano no primeiro julgamento por crimes de guerra do conflito. O Kremlin reclamou que não tinha permissão para defender seu cidadão.
Apesar da recente vitória da Rússia em Mariupol, especialistas afirmam que as ofensivas de Moscou obteve apenas pequenos ganhos territoriais, enquanto continua a perder território em um contra-ataque ucraniano mais ao norte, em torno de Kharkiv.
Na última segunda-feira 16, as forças armadas de Kiev afirmaram terem impedido um ataque russo a Sievierodonetsk, uma cidade do leste que se tornou o principal alvo da ofensiva de Moscou desde que finalmente conquistou Mariupol. As forças russas tentaram invadir Sievierodonetsk, mas não tiveram sucesso e recuaram, disse o escritório de Zelensky.
O fracasso da operação da Rússia no leste do país vizinho foi interpretado por autoridades do Reino Unido como uma perda de energia do Exército do presidente Vladimir Putin. O Ministério da Defesa britânico disse que Moscou provavelmente sofreu perdas em três meses na Ucrânia, equivalentes às perdas de nove anos no Afeganistão na década de 1980.
“Uma combinação de táticas de baixo nível pobres, cobertura aérea limitada, falta de flexibilidade e uma abordagem de comando preparada para reforçar falhas e erros repetidos levou a essa alta taxa de baixas, que continua a aumentar na ofensiva de Donbass”, acrescentou um porta-voz do Ministério a Reuters.
Alguns especialistas militares ocidentais dizem que a Rússia pode em breve ficar sem poder de combate para realizar operações ofensivas e pode ter que mudar nas próximas semanas para defender o território. A chegada de mais armas ocidentais fortaleceria Kiev para um futuro contra-ataque.
A Rússia concentrou sua “operação militar especial” no leste desde que suas tropas foram expulsas da área ao redor da capital Kiev e do norte no final de março. Desde o mês passado, Moscou disse que seu principal esforço é capturar todas as províncias de Donetsk e Luhansk, conhecidas como Donbas, que a Rússia reivindica em nome dos separatistas. Suas forças agora controlam uma faixa praticamente ininterrupta do leste e do sul, liberando mais tropas para se juntar à luta principal de Donbas.

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