Putin desafia Ocidente a vencê-lo no campo de batalha

Em um discurso agressivo para líderes do parlamento, Putin disse que as perspectivas de qualquer acordo tendem a se tornar cada vez mais fracas à medida que o conflito se arrasta.
“Hoje ouvimos que eles querem nos derrotar no campo de batalha. O que você pode dizer? Deixe-os tentar”, afirmou.
O presidente russo disse ainda que ouviu muitas vezes que os países do Ocidente querem lutar contra a Rússia até o último ucraniano e que tudo parece estar caminhando para esse cenário, ressaltando que isso é uma tristeza para o povo da Ucrânia.
O Kremlin continua insistindo na tese que as nações ocidentais estão travando uma “guerra por precaução” contra seu país, martelando a economia com uma série de sanções e aumentando o fornecimento de armas avançadas para o Exército ucraniano. No entanto, apesar do discurso agressivo e glorificado, Putin também falou sobre as possibilidades de negociação.
“Todo mundo deve saber que, em geral, ainda não começamos nada a sério [no campo de batalha]. Ao mesmo tempo, não rejeitamos as negociações de paz. Mas aqueles que as rejeitam devem saber que, quanto mais tempo demorar, mais difícil será negociar conosco”, disse.
Essa foi a primeira declaração relacionada à diplomacia em muitas semanas após repetidas declarações de Moscou de que as negociações com Kiev haviam sido totalmente interrompidas.
Desde o início da invasão, em 24 de fevereiro, o Exército russo capturou grandes territórios no país vizinho, incluindo a cidade de Luhansk, uma das regiões separatistas do leste ucraniano. Analistas apontam, no entanto, que o progresso tem sido muito mais lento do que o esperado por Putin, principalmente devido à falha na tentativa de capturar a capital, Kiev.
Por meio do Twitter, o principal negociador do lado da Ucrânia disse que há algumas condições para que as conversas voltem a acontecer, incluindo o recuo de soldados russos, o retorno de cidadãos sequestrados, a extradição de criminosos de guerra, além da criação de um mecanismo de reparações e o reconhecimento dos direitos soberanos da Ucrânia.
Ao final do discurso, o presidente russo reconheceu que as sanções estão tendo impacto na economia nacional, mas bem menos que aquele esperado pelo Ocidente e prometeu ainda discutir a ideia da criação de uma agência especial para facilitar a integração dos territórios ucranianos ocupados pela Rússia.