Flávio Bolsonaro foi aconselhado a indicar Michelle como ministra e ignorou


Flávio Bolsonaro foi aconselhado a indicar Michelle como ministra e ignorou

Lideranças relatam que o pré-candidato foi aconselhado recentemente a fazer um gesto em direção à ex-primeira-dama dizendo que ela seria ministra em seu futuro governo e também a convidá-la a ajudar a escolher a sua candidata a vice-presidente. Por Raquel Landim/Estadão

Um influente interlocutor disse que faltou “sensibilidade” a Flávio, que não a incluiu na campanha.

Pessoas do entorno de Michelle afirmam que ela esperava um pedido de desculpas público do enteado por tê-la “humilhado” e por ter dito que ela “não entendia nada de política”, como ela mesmo descreve no vídeo que divulgou.

Flávio até tentou se aproximar de Michelle, mas não com uma sinalização de divisão efetiva de poder, como seria, por exemplo, uma indicação para um ministério.

Ele tentou fazer uma ponte por meio da senadora Damares Alves (Republicanos–DF) e da administradora Daniella Marques. Michelle, Damares e Daniella são amigas desde o governo Jair Bolsonaro.

Na semana passada, Daniella esteve no gabinete de Damares para discutir projetos de empoderamento feminino, por meio do combate à violência contra a mulher.

Flávio então pediu à senadora para organizar uma reunião de mulheres conservadoras e ligou para que Michelle participasse, sem resposta. Já era tarde.

A crise provocada pelo vídeo explosivo de Michelle não é boa notícia para a campanha de Flávio, que ainda se recuperava do escândalo do caso Dark Horse, em que foi pego pedindo dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro.

Michelle foi uma primeira-dama muito discreta, mas depois que assumiu a presidência do PL Mulher tomou gosto pela política. Hoje é uma liderança não só entre os evangélicos, mas entre as mulheres, especialmente as conservadoras.

Especialistas em pesquisas de intenção de voto dizem que uma madrasta dizer que foi “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado tem apelo entre todas as mulheres.

A resposta inicial de Flávio que, a princípio, desdenhou, dizendo que o futebol era mais importante, também não foi a melhor estratégia.

Lembrando que a eleição de 2026 promete ser a mais polarizada dos últimos tempos.

“O público feminino já é resistente ao Bolsonaro. Então, a narrativa da Michele tem mais adesão ainda. Na minha visão, essa é uma eleição que vai ser decidida por 3% do eleitorado. Desses 3%, 69% são mulheres. Essas mulheres são apartidárias, não estão nem do lado do Lula, nem do lado do Flávio. É muito importante o candidato conquistar essas mulheres”, diz Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa Idea. (Por Raquel Landim/Estadão - via)

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