Mulheres mantêm Flávio Bolsonaro na liderança da rejeição eleitoral


Mulheres mantêm Flávio Bolsonaro na liderança da rejeição eleitoral

Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à presidência da República vive um drama familiar, um conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que comanda a seção feminina do PL e é candidata ao Senado no Distrito Federal. Por José Casado/VEJA

A crise é antiga, passou a ter visibilidade em dezembro, quando Jair Bolsonaro escolheu o filho mais velho, senador pelo Rio de Janeiro, para representá-lo na disputa presidencial. Desde então, ressentimentos afloram entre divergências sobre táticas eleitorais do PL nos Estados.

Nesta quarta-feira (24), a ex-primeira-dama divulgou dois vídeos dizendo-se desrespeitada, maltratada e humilhada pelo candidato à presidência: “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia ‘chegado ontem’ e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha, e assim permaneço”.

Flávio Bolsonaro retrucou, em vídeo, com sarcasmo: “Hoje [dia de jogo da seleção brasileira], nada nem ninguém me aborrece”.

Muito além dos ressentimentos no clã Bolsonaro, o choque público do candidato presidencial com a ex-primeira-dama está induzindo o Partido Liberal à análise das suas dificuldades com o eleitorado feminino, notavelmente similares às do pai durante as campanhas de 2018 e 2022.



Flávio Bolsonaro aparece como recordista de rejeição na maioria das pesquisas. Quase metade dos eleitores diz não pretender votar nele “de jeito nenhum”, e, nesse grupo, ampla maioria é de mulheres: 53% sustentam a alta rejeição do candidato do PL, em escala bem superior (dez pontos de diferença) ao patamar de 43% dos homens.

Situação oposta é a Lula, que passou à segunda posição (com 46%) entre os mais rejeitados, em virtual empate com Flávio Bolsonaro (48%), segundo o Datafolha.

É de 40% a taxa de rejeição das mulheres ao presidente-candidato. Chega a 52% entre os homens, informa o Datafolha.

O candidato do Partido Liberal, aparentemente, tem dois grandes problemas emergindo na sua campanha, já conturbada pelas revelações sobre o seu envolvimento no caso das fraudes do Banco Master.

Um deles é o repúdio da maioria das eleitoras. Outro é a crise familiar com a ex-primeira-dama, que tem potencial altamente corrosivo.

As palavras de Flávio Bolsonaro voam, os vídeos de Michelle Bolsonaro permanecem.
Por José Casado/VEJA - via

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