Lula chega a Pernambuco sob risco de atrapalhar mais do que ajudar



Lula chega a Pernambuco sob risco de atrapalhar mais do que ajudar


Após meses de especulações e cancelamentos, o presidente Lula (PT) chega a Pernambuco nesta sexta-feira (25), cercado de expectativas e dúvidas. Amuleto da campanha de João Campos (PSB) ao governo estadual, o petista corre o risco de mais atrapalhar do que ajudar. Ao olhar para as pesquisas dos últimos dias, em especial a Quaest, a presença de Lula no estado cristaliza a aliança com o socialista, ao mesmo tempo que pode fazer com que a governadora Raquel Lyra (PSD) recupere os 11% do eleitorado de direita que perdeu no levantamento divulgado ontem, ainda no calor da repercussão de sua fala infeliz sobre a laqueadura. — Por Ricardo Antunes

Com 58% das intenções de voto no estado, o presidente corre o risco de perder percentuais significativos desse eleitorado com a agenda, que tentou adiar até o último momento. A pressão do PSB foi imensa, fazendo com que o petista estabelecesse condições. Uma delas foi a proibição de críticas à governadora durante sua presença no ato. A segunda foi que somente os candidatos majoritários discursariam: João, os postulantes ao Senado Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), além do próprio Lula.

Diante de todo esse “arrodeio”, a dúvida que paira é se o ato poderá ampliar o crescimento de João Campos nas pesquisas ou “devolver” a Raquel os eleitores perdidos na Quaest de ontem. O instituto divulgará uma nova pesquisa na próxima terça-feira (29), mesma data do debate da TV Globo.

Segundo o Datafolha, o governo Lula é desaprovado por 50% dos eleitores pernambucanos, enquanto 47% o aprovam. Já a governadora Raquel Lyra é aprovada por 65%, contra 31% que desaprovam sua gestão — cenário que, em tese, traria mais problemas do que soluções para João Campos.

Apesar da polêmica, a governadora manteve seu percentual no Datafolha em 48%, após crescer um ponto percentual em dez dias, justamente no período em que enfrentou a maior crise de sua campanha. Faltando dez dias para o primeiro turno e sem um clima de “vira-voto” para seu adversário, resta administrar a campanha de forma competente, algo que passou batido em meio à crise do início desta semana.

Com o mar serenado e a possibilidade de baixa empolgação com a agenda de Lula, restará à governadora passar pelos debates imprimindo altivez e maturidade, além de reforçar as contradições e o oportunismo do PSB no que diz respeito à sua relação conflituosa com o PT.

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