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Chico Pé de Pato, o homem que matou mais de cem, entre eles os estupradores de sua esposa e filha

"Se a polícia não age, eu entro em ação". Chico passou a ser conhecido como o Justiceiro da Zona Leste
Foi um trabalhador que veio da Bahia para São Paulo em 1973, se tornou pedreiro e acabou sofrendo um acidente de menores proporções que lhe rendeu esse apelido.
Ao contrário do nosso estimado ex-presidente não parou de trabalhar a ponto de conseguir abrir o seu pequeno comércio no início dos anos 80. Depois de se encher dos “malacos” que iam até o seu bar para pendurar a conta e nunca pagar, e ainda exigiam que guardasse a maconha deles para que a polícia não os pegasse em flagrante, Pé-de-pato se armou com uma faca e passou a expulsar os marginais à pontapés do seu estabelecimento.
Os bandidos então foram à forra, passaram a assaltar e depredar continuamente o seu estabelecimento. Em resposta a isso ele procurou as autoridades policiais por dezenas de vezes e, como ainda acontece por ai, nada fizeram. Buscou a imprensa, que lhe atendeu, mas de nada adiantou.
Em 1984, enquanto fazia um boletim de ocorrência sobre a tentativa de roubo, cinco homens invadiram sua casa, roubaram diversos itens e estupraram a esposa e a filha, que tinha 16 anos. Somou-se a tudo isso um atentado que sofreu, mas conseguiu escapar.
A raiva de Chico era tamanha ao voltar, que levou a filha e a esposa para a Bahia, para se recompor psicologicamente. Dois meses depois, voltou para São Paulo sem a esposa e a filha, porém, armado.
Ele comprou as suas armas e se transformou no temido Chico Pé-de-Pato, o justiceiro.
Ele liquidou os algozes da sua família, e como eram marginais a polícia lhe livrou a cara, mas ele passou a “dever-lhes uma pedra”, passando eles a sugerir os candidatos à morrer. Chico matou supostamente uns 100 indivíduos, em sua maioria “malacos”, a ponto de um advogado picareta lhe pedir pra parar de exterminar a bandidagem pois estava acabando com o seu negócio.
Junto ao filho Flávio, de 19 anos, passou a fazer jornadas de caçada ao crime na cidade, se tornando um personagem notável no jornal Notícias Populares, que relatava quase que semanalmente, os assassinatos cometidos por Francisco, agora apelidado de Chico Pé de Pato. A primeira manchete, em 14 de agosto de 1985, estampava na capa: “2 Irmãos Liquidados pelo Justiceiro da Zona Leste”.
A lista de nomes divulgada pelo jornal relatava que os irmãos estavam em uma lista de mais de 30 nomes. Na segunda ocasião coberta pela mídia, Chico chegou a deixar um aviso: “se a polícia não age, eu entro em ação”. Com a postura justiceira, conseguiu ter sua própria série de reportagens no Notícias Populares, conquistando fãs por toda a cidade.
Era também amigo pessoal de Afanásio Jazadji, o radialista de maior audiência do estado de São Paulo durante o início da década de 1980 com o programa Patrulha da Cidade, que denunciava casos policiais sem solução. Afanásio tinha contato direto com Chico, que por sua vez, dava as informações sobre seus assassinatos com exclusividade ao programa.
O estopim para combater Chico foi em uma ocasião onde o mesmo matou um policial militar à paisana que o agrediu em um bar. O justiceiro, que fugiu com seu Opala, fez contato com Afanásio, que o convenceu a se entregar para a ROTA. No dia de sua prisão, anunciada no rádio, mais de 500 pessoas estavam reunidas para recebê-lo e apoiá-lo.
Chico foi condenado a impressionantes 6 anos de prisão por inúmeros assassinatos, uma pena considerada baixa, mas relativamente precisa graças a pressão de cerca de 2 mil pessoas que compareceram ao tribunal. Demonizado na cadeia, foi assassinado na penintenciária por 91 golpes de estilete.