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Reclamação sobre cobrança na conta de luz cresce 40% na pandemia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recebeu 52.531 reclamações em todo o Brasil sobre cobranças na conta de luz, número 40% maior do que o registrado de janeiro a outubro de 2019, quando a Agência recebeu 37.465 reclamações. A pandemia de coronavírus fez com que mais pessoas ficassem em casa e, consequentemente, o número de reclamações aumentassem. Os dados de 2020 consideram as reclamações enviadas até o dia 26 de outubro deste ano.
De acordo com o gráfico enviado pela Aneel, houve um aumento significativo nas reclamações de março para abril, período em que a quarentena começou no país e as pessoas passaram a ficar mais em casa. A partir de julho deste ano, pico do gráfico, o número segue trajetória de queda.
O engenheiro eletricista do Ibape/SP, Sérgio Levin afirma que, em função da pandemia, o perfil de consumo de muitos brasileiros foi alterado. Levin diz que o consumo é baseado em um triângulo, sendo as pontas tecnologia, perfil do consumidor e tarifas, impostos e bandeiras.
Como o consumo passou a ser maior em muitas residências em que há pessoas trabalhando ou estudando remotamente, há um desequilíbrio neste triângulo. “As pessoas demandam mais equipamentos elétricos, estão usando mais energia elétrica e usam muito a geladeira, junto com o chuveiro”, afirma Levin.A diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getulio Vargas (Ceri), Joisa Dutra, afirma que, apesar do aumento das reclamações, é importante entender a natureza destas. Para ela, o setor elétrico está sendo mais sentido pela população, já que as pessoas ficam mais tempo em casa.
“A percepção é que de fato a crise está causando transformações muito perto do consumidor. Não é que as empresas não tenham conseguido lidar com o desafio de fornecer energia elétrica”, afirma Joisa. A especialista diz que o setor ainda não está no período mais crítico de abastecimento, que começa no verão, quando os locais apostam mais no uso de ar condicionado e, consequentemente, usam mais energia elétrica.
“Se as pessoas continuarem em teletrabalho e consumindo bastante energia dentro de casa, vamos ter um desafio no aumento do consumo de eletricidade”, afirma Joisa, complementando que é possível que haja problemas de interrupções no verão em alguns locais do país.
Levin diz que o aumento tarifário aprovado pela Aneel também é um fator que influencia no valor total da conta de luz. Em São Paulo, por exemplo, o percentual médio é de 4,23%. Já as bandeiras estão congeladas no patamar verde até o final do ano por causa da pandemia.
Para Levin, o consumidor precisa avaliar se de fato consumiu mais durante determinado mês e, por isso a conta veio mais cara, ou se há um problema no cálculo da concessionária. Muitos brasileiros relataram problemas na conta por causa do cálculo considerando a média dos últimos 12 meses.
Devido à pandemia, a circulação de leituristas foi reduzida e a conta passou a ser calculada com base no valor médio de consumo dos últimos 12 meses. No entanto, brasileiros relataram contas com valores muito maiores do que a média anual, que acreditavam não ser condizente com os gastos da casa.
Joisa pontua que a conta de energia elétrica é cara para o consumidor brasileiro, principalmente pela alta carga tributária. Uma pesquisa de opinião realizada pelo Ibope e pela Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia) apontou que 84% dos brasileiros consideram o preço da energia caro no Brasil.
“Comprometer uma parte tão importante do orçamento com energia sem dar ao consumidor opções não é correto”, afirma Joisa. Para ela, a implementação de medidores inteligentes nas casas seria uma boa saída para que o consumidor consiga acompanhar os gastos em tempo real e fazer mudanças no consumo durante o mês, e não apenas depois que a conta chega cara em casa.
Por meio desta tecnologia, será possível medir o consumo dos diferentes equipamentos da residência. “Se o consumidor está incomodado porque tem que arcar com uma conta mais alta, vamos empoderar o consumidor para que ele possa administrar melhor isso”, afirma Joisa.