20 anos do 11 de setembro: ciência explica por qual motivo as torres gêmeas do World Trade Center vieram abaixo

A memória ainda é bem vívida nas cabeças das pessoas, mas neste sábado (11), completaremos 20 anos do “11 de setembro”, nome pelo qual ficou conhecido o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC), em Nova York.
Na ocasião, dois aviões sequestrados por fundamentalistas ligados à organização al-Qaeda foram jogados contra os prédios, que vieram abaixo, dando início à chamada “Guerra ao Terror”, na qual os Estados Unidos iniciaram uma campanha militar que dura até hoje em países do Oriente Médio.
Entretanto, diversas teorias da conspiração foram criadas a partir do incidente, especialmente aquelas que buscam, erroneamente, discutir a forma como os prédios caíram. Felizmente, a ciência está aqui para explicar a forma correta de enxergarmos as coisas:
Leia tambémA destruição das torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, ficou marcado como um dos episódios mais assustadores da história da humanidade.
Uma das teorias mais abrangentes da época era a de que as torres foram propositalmente derrubadas pois, segundo algumas pessoas, elas “caíram”, verticalmente, ao invés de tombarem lateralmente ou se partirem. Para eles, o choque dos aviões foi apenas uma distração, e os prédios foram, na verdade, implodidos.
Segundo Eduardo Kausel, professor emérito de engenharia civil do Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT), faz todo o sentido as torres terem caído “para baixo” e não “para os lados”. Falando à BBC, o especialista disse que o choque contra as aeronaves causou danos estruturais que, combinados com o fogo, contribuíram para a degradação do que segurava as torres em pé. Não fosse o incêndio, os prédios teriam “buracos”, mas não viriam abaixo.
Mais além, outros especialistas ouvidos pelo New York Times argumentam que aeronaves são feitas de materiais leves – alumínio, por exemplo – e que sua massa não é grande o suficiente para derrubar estruturas muito grandes. As torres gêmeas tinham cerca de 500 mil toneladas e 417 metros de altura, sendo projetadas para resistir ao choque de um Boeing 707.
Segundo um relatório da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) dos EUA, dois anos depois do ataque: “o incêndio dentro dos edifícios, provavelmente iniciado por combustível derramado das aeronaves, causou a expansão térmica dos andares em uma direção horizontal, de dentro para fora. Isso fez com que a pressão fosse exercida sobre as colunas de aço, que se entortaram até certo ponto”.
A grosso modo, a expansão dos pisos dos andares entortou as colunas de dentro para fora, fazendo com que outros pisos caíssem. Na engenharia civil, esse processo de colunas ficarem maleáveis por causa do calor é conhecido como “flambagem”.

Imagem: FEMA/Reprodução

Imagem: FEMA/Reprodução
Efeito de “flambagem”, que na engenharia civil refere-se à maleabilidade de vigas de aço que dão suporte a lajes e pisos de andares nos prédios. Imagem: FEMA/Reprodução
Mas e quanto à proteção de isolamento térmico? Sim, as torres gêmeas contavam com proteção contra fogo e, em condições normais, um incêndio não seria suficiente para derrubar andares inteiros. Entretanto, dois aviões arremessados contra os prédios não correspondem a “condições normais”.
Segundo o relatório da FEMA, o impacto dos aviões não só despejou aproximadamente 40 mil litros de combustível, mas também deslocou o material isolante que revestia as faces externas das torres. Com isso, o fogo subsequente escapou rapidamente ao controle, encontrando entradas para o interior dos andares, onde materiais de escritório e outros objetos inflamáveis contribuíram para a expansão do incêndio.
“Isso foi fatal para as torres”, disse Kausel.
Finalmente, a maleabilidade das vigas de aço fez com que as lajes não só as empurrassem para fora na hora da expansão, mas as trouxessem de volta para dentro quando começassem a cair – elas não foram desacopladas. Agora tortas, as vigas não conseguiram tolerar o peso progressivamente alto de mais e mais lajes caindo umas em cima das outras, eventualmente levando ao colapso.
Ao fim de tudo, as duas torres gêmeas foram ao chão em questão de segundos, mas seus efeitos foram sentidos por vários dias que se seguiram: focos de incêndio eram apagados pelos bombeiros mesmo 100 dias depois dos atentados, e a nuvem de poeira lotou centros clínicos para tratamento pulmonar urgente por vários meses.