Percepção de aumento da corrupção sob Lula sobe 10 pontos em 2 anos


Percepção de aumento da corrupção sob Lula sobe 10 pontos em 2 anos

A percepção sobre a corrupção durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou 10 pontos percentuais nos últimos dois anos: a taxa saiu de 39% em janeiro de 2024 para 49% em janeiro de 2026. O dado é de pesquisa PoderData realizada de 24 a 26 de janeiro de 2026. A matéria é do Poder360.

Ao mesmo tempo, o grupo dos que dizem que houve redução na corrupção caiu 12 pontos percentuais, de 30% para 18%. Há ainda 28% de eleitores que dizem que “ficou igual” e 5% não souberam responder.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData. Os dados foram coletados de 24 a 26 de janeiro de 2026, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 111 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

Os dois primeiros mandatos do presidente Lula (2003-2010) foram marcados pelo escândalo do Mensalão, em que políticos (muitos do PT) foram investigados sob suspeita de terem desviado recursos públicos para comprar apoio político para o governo. Em 2023, quando voltou ao poder, o petista visava a se distanciar dessa imagem. Isso não impediu que casos de corrupção surgissem durante este 3º mandato de Lula.

Eis alguns dos casos:

Juscelino Filho (União Brasil) indiciado por corrupção – o ex-ministro das Comunicações foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em 2024 e, posteriormente, denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) em 2025 por corrupção passiva, fraude em licitações e organização criminosa enquanto deputado federal pelo Maranhão. Em abril de 2025, ele pediu demissão do governo e o cargo foi assumido por Frederico de Siqueira Filho;

fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – a operação Sem Desconto foi deflagrada pela PF em abril de 2025 para investigar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do instituto. Mesmo que os desvios tenham tido início em 2019, no 1º ano de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o caso repercutiu negativamente no governo do petista, até porque o aumento exponencial de fraudes se deu sob a administração Lula. Um dos citados no caso é José Ferreira da Silva, irmão de Lula conhecido como Frei Chico. Ele é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade investigada pela PF;

asilo à ex-primeira-dama do Peru – em abril de 2025, o Brasil concedeu asilo diplomático à Nadine Heredia e a seu filho menor de idade. A ex-primeira-dama e o marido, o ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016), foram condenados pela Justiça peruana a 15 anos de prisão por receber propina da Odebrecht –empresa citada na operação Lava Jato. Nadine foi trazida ao Brasil num avião da FAB. A operação custou R$ 345 mil bancados pelos pagadores de impostos brasileiros. A oposição criticou a ação do governo por causa da condenação de Nadine por corrupção;

mesada de Lulinha – em dezembro de 2025, o Poder360 revelou que Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente, manteve relação de proximidade e uma possível sociedade empresarial com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ele teria chegado a receber cerca de “25 milhões” (não se sabe em qual moeda) e pagamentos mensais de quase R$ 300 mil do lobista. O petista afirmou que, caso o filho esteja “metido” com a fraude, ele será investigado. Lulinha não se manifestou. Seu amigo e ex-advogado Marco Aurélio Carvalho disse que as suposições contidas em relatório da PF são inverídicas;

Banco Master – em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master depois de constatar grave crise de liquidez, falhas na gestão de risco e violação de normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Executivos do banco, como Daniel Vorcaro, chegaram a ser presos. O presidente chegou a se encontrar com Vorcaro, que esteve ao menos 4 vezes no Planalto em 2023 e 2024.

Estratificação

O Poder360 estratifica os dados por recortes demográficos (sexo, idade, região, escolaridade e renda) e destaca:

  • quem diz que aumentou – as taxas são mais altas entre homens (52%), pessoas de 25 a 44 anos (55%), moradores da região Centro-Oeste (55%), pessoas com o ensino superior completo (56%) e com renda superior a 5 salários mínimos (56%);
  • quem diz que diminuiu – as taxas são mais altas entre mulheres (19%), idosos (22%), moradores das regiões Sudeste e Norte (20%), pessoas com ensino fundamental completo (22%) e com renda familiar de até 2 salários mínimos.

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