O que pode explicar o avanço numérico de Flávio contra Lula no 2º turno, segundo analista da Atlas


O que pode explicar o avanço numérico de Flávio contra Lula no 2º turno, segundo analista da Atlas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Lula (PT) na projeção de um eventual segundo turno da eleição presidencial, de acordo com uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (25). Há dois meses, porém, o petista tinha quase cinco pontos de vantagem sobre o filho “zero um” de Jair Bolsonaro (PL).

A virada ocorre após um período marcado, sobretudo, por uma sequência de más notícias e focos de desgaste para o governo, avalia Yuri Sanches, chefe de Risco Político e Análise Política do AtlasIntel.

No levantamento de janeiro, Lula vencia Flávio na simulação de segundo turno por 49,2% a 44,9%. Em fevereiro, uma mudança: o pré-candidato do PL marcava 46,3%, ante 46,2% do presidente. Era praticamente um empate absoluto. Na nova rodada, Flávio desponta com 47,6%, enquanto Lula registra 46,6%.

Embora persista uma igualdade técnica, considerando a margem de erro de um ponto percentual, o filme das três sondagens é ruim para Lula.

Segundo Sanches, a candidatura de Flávio se consolidou, aproveitando-se do teto do bolsonarismo, que continua a ser expressivo. Pesou a favor do senador também um fluxo de eventos desfavoráveis ao governo federal, como a tentativa da oposição de ligar Lulinha ao escândalo do INSS, o avanço do Caso Master e a crise de imagem do Supremo Tribunal Federal.

INSS e Master são mais difusos na percepção da sociedade, por se tratarem de escândalos complexos, mas mexem com o humor do eleitor e podem impactar negativamente a avaliação do governo e, por consequência, as intenções de voto do presidente.

Supostos casos de corrupção, resume Yuri Sanches, costumam atingir o incumbente, seja ele quem for, uma vez que alimentam a desconfiança nas instituições em um país no qual esse tema já é particularmente delicado.

O analista político do AtlasIntel destaca também a percepção de parte do eleitorado sobre um vínculo entre Lula e o STF, devido ao fato de que a Corte adotou diversas medidas contra o principal grupo de oposição ao governo. A prisão de Jair Bolsonaro e de integrantes de seu governo, e as centenas de condenações de participantes do 8 de Janeiro de 2023 são os principais exemplos.

“Se tem uma crise de imagem, especialmente com ministros importantes como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, pode haver, consciente ou inconscientemente, uma ligação na cabeça do eleitorado que gera esse mau humor, essa falta de confiança.”

Ao mesmo tempo, acrescenta Sanches, há um fator econômico que a oposição, ainda dominante nas redes sociais, explora: as incertezas decorrentes da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O aumento dos combustíveis é uma das expressões mais evidentes desse movimento, que não à toa acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto.

Gasolina e diesel mais caros provocam, por óbvio, o temor de descontrole da inflação, algo que até o início da guerra não era um tema candente na corrida presidencial. Lula não tem culpa pelas decisões de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas pode sofrer eleitoralmente com as consequências globais da agressão ao Irã e da reação do país persa.

“O domínio dessa narrativa no campo digital também é importante, ao menos para criar um clima de crítica ao governo em relação aos aumentos e gerar esse cenário um pouco mais pessimista”, explica Yuri Sanches.

Na pesquisa publicada no fim de fevereiro, relembra, havia também o impacto negativo sobre parte do eleitorado do desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro. Ironizar a “família em conserva” pode não cair bem para uma parcela dos eleitores de Lula, católicos, por exemplo.

As próximas semanas, quando o presidente espera ver os primeiros efeitos da reação do governo federal aos reajustes nos combustíveis, serão decisivas para indicar se a liderança numérica de Flávio é um voo de galinha ou uma tendência. A nova pesquisa AtlasIntel sairá no fim de abril. 
Carta Capital?/Via PE Notícias.

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