Raquel e Marília conversam e hipótese de chapa começa a circular


Raquel e Marília conversam e hipótese de chapa começa a circular

Àquela hora, a política pernambucana ainda assimilava as mudanças partidárias da tarde da última terça-feira (10). O PSDB retornava à base do governo estadual e Álvaro Porto, presidente da Alepe, deixava o ninho tucano para se filiar ao MDB. Na mesma tarde o deputado federal Pastor Eurico saiu do PL e ingressou nos tucanos. Por Igor Maciel/JC

Os três movimentos estão ligados entre si e ocorreram surpreendendo até gente dentro do próprio Palácio do Campo das Princesas e do PSB. Não é que fosse algo incrível, fora do comum, mas foi resultado de um novo movimento da governadora e pré-candidata à reeleição que, depois de ser muito criticada por não “fazer política”, acelerou as ações de um jeito que poucos imaginavam ser possível.

Foi nesse contexto em que, já à noite, ocorreu a conversa entre Marília Arraes (indo para o PDT) e Raquel Lyra (PSD). As duas não dialogavam desde 2022, quando estiveram em lados opostos no segundo turno da eleição vencida pela atual governadora. A ausência de contato não se deu por ódio mútuo ou coisa que o valha. A ex-deputada perdeu uma eleição e se recolheu, fez críticas pontuais à gestão Raquel ao longo dos anos mas, isso é importante, nunca foi agressiva em relação ao governo. Nunca houve pontes entre as duas, mas nunca houve intenção ou necessidade de interditar o rio também.

E foi isso o que viabilizou o papo, sobre o cenário local, sobre a situação de Marília na disputa deste ano e o entendimento sobre o palco nacional e suas implicações aqui. Essa foi a pauta da conversa entre as duas. E não foi um contato rápido, mas bem detalhado. Na manhã do dia seguinte, tanto interlocutores de Raquel quanto os de Marília comentaram com esta coluna que a conversa foi “muito boa”. E assim foram disparadas as especulações. Raquel terá Marília Arraes como candidata ao Senado? Pode ser.

É preciso entender a situação de Marília nesse jogo. Ela lidera todas as pesquisas para ser senadora, chega a ter 15 pontos percentuais de vantagem, segundo o Datafolha, sobre o segundo colocado que é Humberto Costa (PT). Ainda assim (ou até por isso), tem sido pressionada a desistir todos os dias. Ao menos dois outros pré-candidatos ao cargo já chegaram a oferecer apoios diversos para que ela desista e tente uma vaga como deputada federal.

O problema é que, após ser derrotada em 2022, Marília foi praticamente abandonada pelo PT e pelo PSB, dois partidos com grande estrutura que lhe deram apoio no último pleito. As ofertas de boa vizinhança só chegaram agora, depois que ela apareceu liderando a corrida pelo Senado e avisou que não iria desistir.

Uma regra básica do comércio é que se algo é muito valioso para alguém ao ponto de quererem pagar muito para que você o entregue, significa que aquilo também pode ser muito valioso para você, caso você saiba usar. Marília até pensou em ser candidata a deputada em algum momento no passado, mas percebeu a oportunidade e decidiu não recuar. E também deve ter feito a seguinte pergunta: quando terei essa vantagem para disputar o Senado outra vez se não agora?

Marília deve ingressar no PDT ainda esta semana. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, já disse que a sigla quer ela candidata ao Senado e pode ficar com Raquel ou com João em Pernambuco. Mas o PT já obrigou João a vetá-la. A governadora não tem esse impedimento, porque conduz a pré-campanha evitando ser obrigada a se comprometer antes do tempo.

Uma chapa com Raquel candidata ao governo e Marília candidata ao Senado quase aconteceu em 2022. Em determinado momento, antes de a neta de Arraes decidir disputar o Palácio naquele ano, as duas conversaram na fazenda da família da então prefeita de Caruaru. Raquel disputaria o Palácio com Marília como sua senadora. A ideia não avançou, por motivos partidários da época, e o final todos sabemos. Se ocorrer isso agora será sob outra conjuntura. E, sim, pode dar certo, mas há muitos ônus que terão de ser avaliados pelas duas.

Para Marília o custo é até menor. Será preciso explicar aos seus próprios eleitores a mudança na direção. O problema nem é ter feito alguma crítica à Raquel no passado, mas ter declarado consistentemente nas últimas semanas que seria candidata pedindo votos para João Campos. A base de seu eleitorado é de esquerda, ligado ao PT principalmente e vai haver muita pressão para que esse voto seja dado a Humberto, argumentando que ela, Marília, “aliou-se à direita” (mesmo que isso não tenha muita lógica).

Já a governadora pode ter algumas dificuldades. Uma das grandes vantagens de Raquel Lyra na disputa atual é não estar diretamente comprometida com a esquerda e nem com a direita. O símbolo que ela utiliza para reforçar essa desconexão ideológica é a bandeira estadual, como foi pontuado por um cientista político que conversou com a coluna esta semana. A ideia é que ela não representa Lula, nem Ratinho (PSD), nem Bolsonaro (PL), mas Pernambuco. É como se ela repetisse, toda vez que empunha a bandeira, que “não é militante de esquerda ou de direita, mas de sua responsabilidade com o estado”. Marília dentro da chapa não inviabiliza o argumento, mas levantará questionamentos, por causa da defesa intransigente (mesmo que não seja recíproca) de Lula.

Outro ponto é o sobrenome de Marília. Ficará mais difícil criticar o que muitas vezes é chamado de “dinastia Campos-Arraes” durante a eleição, tendo uma Arraes bem ali ao lado como companheira de chapa.

Nada disso, é bom dizer, seria incontornável. Mas vai, sem dúvidas, exigir um esforço para adequar a argumentação.

A principal vantagem da união seria o impacto do fato político. Aliás, uma aliança entre Raquel e Marília está no “top 3” de fatos políticos de maior impacto que podem ocorrer na eleição de Pernambuco em 2026. Fatos impactantes podem ser muito bem aproveitados quando são bem direcionados por uma boa equipe de comunicação.

São duas mulheres, com forte poder de liderança, contra uma chapa onde os homens devem prevalecer e num ambiente partidário do qual as duas, em momentos diferentes, foram “expulsas” quando tentaram crescer e os “ameaçaram”. Somente neste parágrafo já tem muito material pra campanha.

Claro, tudo isso só fará sentido se a ideia, dessa vez, chegar aos finalmentes. Então, aguardemos.

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