90 DIAS DE SAUDADES, DE DOR E DE REVOLTA!


90 DIAS DE SAUDADES, DE DOR E DE REVOLTA!

Infelizmente até o momento não temos nada de concreto em relação ao crime que chocou Iguaracy e que arrasou com umas das famílias que ajudou a construir a história desta terra. Meu pai “Tião de Custódio” era sem dúvida nenhuma um dos comerciantes mais carismáticos que existiu em nossa cidade. O seu jeito por vezes divertido de atender e as inúmeras brincadeiras que fazia com seus clientes e amigos marcaram a sua existência.
Durante sua jornada como comerciante, realizou uma série de atividades entre elas comercializando peles de animais, trabalho que herdou de seu pai o Sr. Custódio Paulo de Freitas, atualmente só se comercializa nesta região, peles de origem bovina, caprina e ovina, mais ainda lembro quando ele comprava peles de raposa e tejo, uma espécie de camaleão.
Ontem Dia de Finados, foi o Túmulo mais visitado
Pessoas ainda se perguntam porque logo ele...
Esposa, netos, filhos, genros, noras... Família está inconsolada!
Lembro dele também comercializando pedras de fel (tipo de cálculo biliar que cresce em bovinos e que são utilizadas pela medicina) a preço que muitas vezes equivalia ao próprio ouro, comercializou também baterias, ferro velho (ferro, lata, osso, alumínio, cobre, bronze), ingressou no ramo de produtos agrícolas onde colocou a 1ª loja deste ramo em Iguaracy, com vendas de adubos, venenos, sementes, produtos veterinários e ferramentas diversas para o homem do campo.
Foi o maior comprador de milho, algodão, jerimum, etc, aqui de nossa região, chegava a carregar de dois a três caminhões de milho e por vezes mais uma carreta que vinham de fora por semana. Nesta época tinha em sua garagem uma F-4000 e mais uma caminhonete D-10 que ajudava a recolher estes produtos que atualmente sumiram do mercado e que hoje estão sendo importados de fora para o consumo de nossa população. Outros comerciantes deste ramo que se destacaram foi o saudoso Sebastião Alexandre e o Sr. Chico Torres, mais voltados ao retalho (varejo) destes produtos.
Em certa época interessou-se pela compra de legumes tipo o tomate e o pimentão, carregava sua F.4000 e sumia no mundo mas seus amigos Manoel Santana e Inácio de Bandeira. Os produtos que eram comprados aqui nos plantios da região eram levados para as CEASAs de Caruaru, Recife e até mesmo de Natal-RN. No Sítio Malhada, terras de herança de seus pais, continuou até os seus dias finais criando animais e plantando suas hortaliças e fruteiras ao qual tinha como hobby, onde esquecia-se dos problemas da cidade.
Seu último trabalho a serviço de nossa população foi montar junto com minha mãe Rosa Maria Coelho de Freitas, uma papelaria com prestação de serviços de xérox, plastificação, encadernação e também uma atividade que com certeza foi o atrativo para o fim inesperado de uma vida toda de trabalho: Arrecadação de água, luz, e recebimento de contas e boletos bancários, junto com as atividades do Ponto Celpe.
Netos antes acostumados a brincar no colo quente do avô,
hoje só resta o mármore gelado do cemitério
Meu pai, quando participava das atividades da Igreja Católica, diversas vezes junto com minha mãe também foram padrinhos da Igreja Matriz de São Sebastião, onde obtiveram várias conquistas para a estruturação do que é a atual Igreja Matriz nos dias de hoje em Iguaracy e contribuiu também de outras formas para o engrandecimento de nosso torrão.
Então quer tenha sido chamado por Tião dos Couros, Tião das Baterias, Tião da Lata velha, Tião do Algodão, Tião do Ponto Celpe, etc, meu pai foi um homem de respeito, honrado, dedicado aos clientes, amigos e familiares. Trabalhador como era, com apenas 60 anos de vida foi morto trabalhando e defendendo o seu ganha pão, por isso, como cidadão honrado do Pajeú que ele foi, solicitamos o valoroso empenho das polícias neste caso, e que não se esqueçam de nós, pois informamos que da nossa parte, jamais esqueceremos e não descansaremos enquanto a justiça não tenha sido feita!

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