Alerta de possível Chernobyl subterrânea na França

Agência francesa pretende depositar lixo radioativo abaixo da terra por 100 mil anos.
O polêmico projeto de construção do Centro Industrial de Armazenamento Geológico (Cigeo) foi aprovado, este mês, pela Assembleia Nacional Francesa. Trata-se de uma megaestrutura a 500 metros abaixo da terra para armazenar 80.000 m³ de lixo nuclear. Ativistas ambientais apelidaram o projeto de “Chernobyl subterrânea”.
A proposta da Agência Nacional de Gestão de Resíduos Radioativos (Andra) vem sendo debatida desde 2006 e, este mês, avançou mais uma importante etapa com a aprovação na Assembleia Nacional. A construção está prevista para começar em 2019 e as operações iniciariam em 2025. De acordo com o projeto, o Cigeo teria condições de operar pelos próximos 100 anos, ou seja, até 2125. O problema é que, a partir de então, serão necessários mais 100 mil anos para que o lixo deixe de representar uma ameaça aos seres humanos.
Grandes riscos
O gigantesco cemitério nuclear ficará no subsolo do vilarejo de Bure, fronteira do departamento de Meuse com o de Haute-Marne, no leste da França. A porta-voz da associação BureStop, Corinne François, foi contundente em uma entrevista dada ao jornal Le Parisien: “esse projeto ainda possui uma quantidade grande de riscos não solucionados. Dar sinal verde para ele é absurdo e perigoso”.
A Agência Andra tem afirmado, no entanto, que o projeto de armazenamento geológico profundo é projetado para assegurar a gestão a longo prazo dos resíduos radioativos da França: “Cigeo vai servir como um repositório para resíduos de longa duração altamente radioativos gerados pela atual frota de usinas nucleares da França, bem como de reprocessamento de combustível irradiado a partir dessas mesmas plantas", explicam os porta-vozes da agência.
25 bilhões de euros
Outro ponto polêmico no projeto é seu custo. Andra não confirma os valores, mas especula-se algo em torno de 25 bilhões de euros. As autoridades locais estão divididas sobre o projeto. Há o risco de viver com tanto lixo radioativo embaixo dos pés, mas a possiblidade de lucro também é alta. Atualmente, o laboratório de Andra já funciona na região e representa 30 milhões de euros por ano. A construção do Cigeo geraria empregos no local e aumentaria a arrecadação e o desenvolvimento de inteligência do setor nuclear. Os custos desses “ganhos” é que ainda geram dúvidas na população.

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