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As gravações que marcaram a Lava Jato e as suas consequências

Era o plano quase perfeito. Joesley Batista gravou o presidente da República e um dos mais influentes senadores do país, segundo colocado nas eleições presidenciais de 2014, em diálogos comprometedores. Ele tinha pego “o [poder] Executivo”. Mesmo que não pegasse “o [poder] Judiciário”, como agora se sabe que era a sua pretensão, já tinha o suficiente para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) aceitasse a sua delação e lhe concedesse imunidade total, sem sofrer qualquer tipo de novo processo.
A ironia do destino é que o recurso que garantiu a Joesley benefícios que nenhum delator obteve foi, justamente, o que pode derrubá-lo. Uma gravação, entregue junto com a complementação da sua delação, mostrou ao Brasil o empresário e Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da JBS, em uma conversa cheia de planos pouco republicanos para se livrar da Justiça. O principal é a insinuação de que Marcelo Miller, ex-procurador e hoje advogado, que atuou no escritório responsável pela leniência da empresa, tenha ajudado os delatores quando ainda estava nas fileiras do Ministério Público, um crime não confessado na delação.
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