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A aposta de Bolsonaro: tudo ou nada!

Se houver a desaceleração da transmissão do Coronavírus nos próximos dias, o Presidente da república Jair Messias Bolsonaro poderá sair por cima como “o cara que avisou”.
A aposta de Bolsonaro é essa. Deu praticamente um SINAL nesta terça-feira (24) com o pronunciamento. Agora, se isso não acontecer, estará numa situação complicada. Aguardemos.
A reflexão acima vi no blog do amigo Itamar França. No início desta semana ví um texto de Ricardo Capelli que achei bastante razoável em relação a situação:
Bolsonaro dobra a aposta. Pode dar certo?
Com o país paralisado pelo coronavírus, o presidente foi para o “tudo ou nada”. Partiu para o ataque e acusou os governadores e a mídia de estarem quebrando o país e gerando milhares de desempregados com um pânico desnecessário e premeditado. Vai dar certo?
Depois de ser atropelado pelos fatos nos lances iniciais, o Capitão parece estar reagrupando seu exército e redefinindo sua estratégia. Dobrou sua aposta e resolveu colocar todas as suas fichas duas casas adiante.
O que será pior, as mortes causadas pelo vírus ou o drama social causado pela paralisia econômica?
Se vidas forem ceifadas na mesma proporção do quem vem ocorrendo no norte da Itália, o presidente e boa parte do sistema político serão tragados pela tragédia. Cadáveres costumam enterrar carreiras política de sucesso.
Junho de 2013 engoliu quem estava no poder e quase todo o establishment político do país, abrindo caminho para a ascensão da extrema-direita. Abril de 2020 pode engolir a extrema-direita e novamente enterrar o sistema político, abrindo um novo e imprevisível buraco.
Um estudo de Oxford indica o Brasil e a Nigéria como as maiores catástrofes causadas pelo coronavírus. Prevê a morte de 478 mil pessoas em nosso país. Não precisará tanto. A imagem de caminhões do exército retirando centenas de corpos já será suficiente para um terremoto político.
Mas, e se isto não acontecer?
Guilherme Benchimol, da XP, afirmou que a epidemia pode causar o desemprego de 40 milhões de pessoas. Uma verdadeira hecatombe. De quem será a responsabilidade por esta tragédia igualmente dramática? Do vírus? Dos governadores? Da mídia? O Capitão já começou esta disputa.
Mandetta já adotou um tom completamente diferente na coletiva deste domingo. Relativizou perigos, mostrou preocupação com a questão econômica e até atacou a China. Dizem que Osmar Terra estaria pronto para assumir o seu lugar.
A Globo também enquadrou seu exército para a briga. O “autodesmentido” de Drauzio Varella foi constrangedor. Se em janeiro o vírus não era tão letal, todo mundo podia circular normalmente, o que mudou agora? Uma mutação ampliou a letalidade? O médico deveria ter dito que errou. A opção pelo meio do caminho contaminou sua reputação.
Globo e Bolsonaro travam uma luta de vida ou morte. Mandetta e Drauzio são as primeiras vítimas da guerra pelo poder. Os fuzileiros saem na frente e normalmente levam os primeiros tiros.
Se as mortes não vierem na quantidade esperada, a mídia e os governadores dirão que foi em função das medidas tomadas à revelia do governo federal.
Bolsonaro vai chamar todos de irresponsáveis por propagarem o pânico. Dirá que o resultado comprova sua tese de que era uma “gripezinha” e chamará todos de sabotadores do país.
A percepção da crise e as formas de enfrentá-la são diferentes. A classe média consegue ficar em casa no seu confinamento sem muitas dificuldades. E o povo? Como é ficar confinado num cômodo onde moram oito pessoas? Como fica o sustento sem o dinheiro circulando?
Vida ou morte para a maioria da população sempre foi um detalhe, infelizmente. Tragédias pessoais e perdas por doenças, assassinatos e outros motivos evitáveis fazem parte da rotina desde cedo. O que vai falar mais forte, o medo da morte ou a fome?
Acuado pela perda de popularidade na classe média e ridicularizado no planeta por assumir o papel de menino de recados tresloucado de Trump, Bolsonaro decidiu fazer sua aposta mais irresponsável e arriscada.
Pode funcionar?
*Ricardo Cappelli é jornalista e secretário de estado do Maranhão, cujo governo representa em Brasília. Foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) na gestão 1997-1999.