É FAKE: inalar solução com água sanitária para tratar COVID-19

Nos últimos dias, circula nas redes sociais um vídeo em que um suposto médico ensina a fazer e mostra como inalar uma substância composta por água, bicarbonato de sódio e hipoclorito de sódio (água sanitária). De acordo com a fake news, esse "tratamento" ajudaria a prevenir e curar a COVID-19, sendo recomendado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No entanto, o procedimento pode acarretar inúmeros riscos, inclusive de vida, e não tem eficácia aprovada e não foi aprovado pela Fiocruz .
Diante da desinformação e dos riscos de se inalar o composto com água sanitária, o Sistema CFQ/CRQs — composto pelo Conselho Federal de Química e outros 21 Conselhos Regionais — e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (Abipla) divulgaram uma nota sobre o perigo do procedimento no tratamento do novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Risco de produtos de limpeza e o organismo humano
Em nota, o grupo de especialistas em química alerta que os produtos saneantes, como a água sanitária, foram desenvolvidos para utilização em superfícies inanimadas e não para interagir com o organismo, como a pele, e "jamais" deve ser inalado pelas vias respiratórias. "A inalação proposta é possível através da aquisição de produtos simples e acessíveis a maior parte da população, o que aumenta a possibilidade de sua utilização em massa e potencializa seus riscos", alerta o grupo sobre a importância de contrapor o boato.
"É preciso ter em mente, entretanto, que para que essas substâncias promovam os benefícios que delas se espera são necessários diversos testes e ensaios. Esse período de testagem se dá em condições controladas de uso, tudo para que sejam garantidas à população a eficácia e a segurança na utilização — desde que, claro, sejam mantidas as condições para as quais foram testadas e indicadas pelos fabricantes", afirma nota. No entanto, todos esses testes foram realizados para limpeza, sem envolver fins medicinais, como tratamentos de saúde.
"Compreendemos que, neste momento de pandemia, grupos acabam tentados a experimentações sem qualquer tipo de controle ou registro técnico de resultados. Em consequência, é previsível que se promova a divulgação de tais experimentos. A nós, como profissionais da Química e representantes da indústria do setor de higiene e limpeza, cabe o alerta de que as consequências dessas iniciativas são invariavelmente danosas à saúde. Quaisquer substâncias são completamente seguras apenas quando obedecidas às instruções dos fabricantes que foram previamente analisadas e aprovadas pela Anvisa", defendem as instituições.
Em resposta a esses tratamentos não comprovados e perigosos, o grupo afirma que "medidas de distanciamento social, higiene pessoal e vacinação em massa são as principais iniciativas respaldadas na ciência e, por enquanto, as que devem ser consideradas para o controle da pandemia".