Os critérios para a distribuição de vacinas em Pernambuco e a dificuldade dos prefeitos para aplicar

Esta semana, prefeitos reclamaram da distribuição das vacinas que vem sendo feita pelo governo de Pernambuco. Ana Catarina de Melo, responsável pelo programa de imunização no estado explica como o cálculo é feito.
Recife recebe mais doses, não apenas por ter população maior, mas também por ter um número de pessoas na faixa de risco bem mais expressivo também.
Como exemplo, os profissionais de saúde. Em todo o estado há 294 mil profissionais. Desses, 107,9 mil atuam na rede pública no Recife. Dá 37% de todos os profissionais de saúde de Pernambuco.
O número de idosos também é o mais alto, empatado com Olinda, cerca de 12,5% de sua população está acima dos 60 anos. Estão entre as 100 cidades do país com mais idosos.
No primeiro lote de vacinas que chegou por aqui, o ministério da Saúde enviou doses para aplicar em 34% dos profissionais de saúde. Dessas, 4% foram utilizadas na rede estadual e 30% seguiram para os municípios. No Recife, 30% representam 32,3 mil doses para esse público, enquanto Caruaru, que tem cerca de 10 mil trabalhadores da saúde, recebeu 3 mil doses.
Se a conta fosse apenas por população, a proporção seria diferente. E aí, surge uma outra questão. Se todos estão recebendo as vacinas proporcionalmente e aplicando imediatamente, por que alguns conseguem adiantar a vacinação, como Recife e Jaboatão, que tem se destacado, e outros municípios ficam atrasados?
A resposta é até simples: eficiência no agendamento e controle de perdas.
Segundo Ana Catarina, municípios que implantaram sistemas de marcação e agendamento por horário conseguem ter um aproveitamento muito melhor.
A questão é que cada recipiente de vacina tem imunizante suficiente para algo em torno de 10 doses. E há um prazo de validade. No caso da Astrazeneca, após aberto, o produto tem validade de 6h. A Coronavac aguenta até 8h após aberta.
Se todas as doses não forem aplicadas, o conteúdo se perde.
Com o agendamento, o controle é muito mais efetivo e, mesmo que a pessoa agendada falte, há como entrar em contato com outros da fila e adiantar o processo para que não se pare de avançar.
Não há, ainda, nenhum caso oficial de vacina que se perdeu nos municípios por falta de pessoas para receber a dose, mas pode acontecer se não houver um controle rigoroso com o agendamento.
O que fica claro é que não é um sistema fácil de administrar para os prefeitos, sem auxílio de tecnologias como as que estão sendo utilizadas em Recife e Jaboatão.
Quando todas as doses chegam de uma vez, como acontece nas campanhas de vacinação frequentes, o controle é muito mais simples. Mas com as faixas prioritárias e com as doses chegando “às pitadas”, tudo fica mais complicado.
Por Igor Maciel/JC