Concursos federais devem voltar com tudo no segundo semestre de 2021

Por causa da suspensão dos concursos públicos, muitos em decorrência da pandemia de Covid-19, diversos órgãos, principalmente os ligados à administração federal, estão com defasagem de funcionários. Para suprir essa necessidade, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 previu mais de 54 mil vagas, o que deixou concurseiros animados. Parte delas já foi aberta no primeiro semestre do ano, com os certames da PF e da PRF. Para a segunda metade de 2021, a previsão é de 48.679 vagas, apesar do cenário econômico e fiscal do país.
Banco do Brasil, Tribunal de Contas da União, Receita Federal, Ibama e várias universidades já estão com certames em andamento ou próximos de terem editais divulgados. Para o professor Juliano Bumgartenn, coordenador pedagógico do Sigma Cursos, a expectativa para os próximos meses é das melhores.
Ele lembra que o Supremo Tribunal Federal autorizou, no fim de maio, a realização da prova da PF e, na semana seguinte, vários órgãos públicos deram início à retomada de seus editais. “Nós enxergamos que agora vai ter uma grande enxurrada de concursos. Por mais de um ano ficaram represados. Tivemos um represamento federal e, às vezes, há uma coisa regionalizada, mas nunca tudo ao mesmo tempo. Agora, deve vir aos montes”, explica.
Quem tem uma opinião parecida é o professor de disciplinas pedagógicas e administrativas do NUCE Concursos, Abner Mansur. De acordo com ele, todas as esferas estavam paradas por um fator maior, que paralisou o mundo, a pandemia. “A gente vai ter dois anos de provas concentradas em um semestre. O candidato vai ter que escolher qual fazer. A porteira foi aberta”, afirma.
Por isso, especialistas aconselham que candidatos não devem esperar a publicação dos editais para iniciar os estudos e precisam focar em poucos certames, pois as datas das provas podem coincidir devido à grande quantidade de certames sendo retomados.
É o que explica, por e-mail, o presidente da Associação de Apoio aos Concursos Públicos e Exames (Aconexa), Renato Saraiva. O represamento tem suas consequências como, por exemplo, a aplicação de provas muito perto uma das outras, ou até na mesma data. “Vivemos isso recentemente com os concursos da PF e PRF, que se chocaram com provas regionais. A Aconexa, inclusive, oficiou aos órgãos e bancas para que essas datas sejam mais bem planejadas e tragam mais benefícios aos concurseiros”.
Segundo a economista Amanda Aires, professora de economia e conhecimentos bancários do Estratégia Concursos, todos precisaram passar por uma adaptação e, agora, estão se organizando, mais uma vez, com a rotina voltando a ser aquilo que as pessoas estavam acostumadas. No mundo dos concursos está acontecendo à mesma coisa.
O desafio agora seria escolher, entre tantos concursos, qual fazer. “O prejuízo é grande também para os concurseiros. Antes de fazer um concurso e ser aprovado, é preciso seguir etapas que vão desde o estudo, passando pelo edital, pela prova e, por fim, pela posse. Quando essa cadeia é prejudicada, o candidato desanima, fica se sentindo perdido e sem perspectiva”, pontua.
Azul e Rosa Pessoas Coloridas Ilustrações Regras de Sala de Aula e Etiqueta Online Educação Apresentação de Marcelo Aprígio
Foi o que aconteceu com a estudante Paula Menezes, 21 anos. Para a concurseira, “a suspensão dos concursos gerou uma frustração muito grande”. Ela conta que está seguindo o conselho dos professores e já definiu seu foco: o concurso do Banco do Brasil. O edital do certame saiu em 23 de junho, e, no dia seguinte, ela voltou a estudar. Mesmo estando parada nos últimos meses, ela sempre foi concurseira, e está focada no seu objetivo.
“Eu estudo, em média, oito horas por dia, contando com o cursinho. Devido à pandemia, a gente consegue conciliar algumas rotinas, como a faculdade, por exemplo, mas está dando para estudar tudo direitinho”, relata.
EXPECTATIVA X REALIDADE
A previsão por tantos certames, no entanto, é do setor de concursos. O governo federal é cauteloso e pede cuidado aos órgãos na hora de realizar certames. As solicitações de realização de concursos públicos são encaminhadas ao Ministério da Economia, pelos outros órgãos da Administração Pública, até 31 de maio.
A pasta esclarece que “os quantitativos e os valores previstos na PLOA constituem limite máximo autorizativo e não pressupõem a sua plena execução”. Além disso, diz também, que os certames podem deixar de ocorrer por diversas causas. O Ministério afirma ainda ser preciso levar em conta a atual situação fiscal, que limita a administração em ações que acarretem impactos financeiros que durem por exercícios subsequentes.
Abner Mansur argumenta também que sem concursos, a população será prejudicada. Para ele, não há como continuar a prestar serviços públicos sem realizar provas. “Vejamos a situação do INSS, mesmo com contratação de profissionais temporários, não solucionaram o déficit no atendimento. Nada substitui o servidor público”, diz.

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