Médicos dizem ainda não ter encontrado fatores que possam ligar uso de ivermectina a surto de lesões na pele que causam coceira

G1
As causas do surto de lesões na pele que causam coceira ainda não foram identificadas. Dois médicos que acompanham os casos no Recife afirmaram, nesta segunda-feira (29), que ainda não encontraram fatores que levem à correlação entre o uso de ivermectina e notificações de pessoas com sintomas na capital.
A hipótese foi levantada por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que estudam a possibilidade de o uso indiscriminado do medicamento estar relacionado a um aumento de casos de escabiose, mais conhecida como sarna humana. A sarna é uma das hipóteses investigadas, bem como alergias e fatores ambientais.
A Secretaria de Saúde do Recife informou que, nesta segunda-feira (29), subiu para 195 o número casos de lesões cutâneas a esclarecer. Eles foram registrados em 41 bairros do município, com predominância na Guabiraba e em Dois Irmãos, na Zona Norte.
Uma equipe dermatologistas passou a reforçar as investigações na capital. Entre eles, está a médica do Hospital das Clínicas e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia regional Pernambuco, Cláudia Ferraz. Ela esteve com a equipe da prefeitura na comunidade do Sítio dos Macacos, na Guabiraba.
“A gente ainda não tem absolutamente nenhuma correlação com o que está visualizando aqui. Existem hipóteses de resistência com o uso indiscriminado [da ivermectina], mas a gente não tem nenhum fator relevante que faça a gente pensar que isso poderia estar acontecendo exclusivamente aqui”, declarou a dermatologista.
A médica também explicou que, dos pacientes que viu, notou lesões bem variadas que podem estar associadas a diferentes causas.
“Podem ser quadros associados a ácaros, podem ser quadros de dermatite de contato a algum fato ambiental, podem ser quadros alérgicos de base que foram exacerbados pelo calor. Então, a gente ainda precisa definir o diagnóstico morfológico para a gente partir para uma etiologia [estudo das causas] real para validar qualquer uma dessas hipóteses”, disse.
O infectologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz Demetrius Montenegro acompanha as investigações como especialista e faz parte da comissão que atua junto à prefeitura do Recife. Segundo ele, apesar de ser uma única apuração, os pacientes têm sintomas bem variados.
“Mesmo que a gente chegue à conclusão de que é escabiose, não dá para dizer que é uma superescabiose já resistente à ivermectina porque algumas pessoas que usaram ivermectina melhoraram”, defendeu o infectologista, que acompanhou equipes da prefeitura nesta segunda, em uma ação na Zona Norte.
Montenegro afirmou que existe um grupo de pessoas cujas lesões se assemelham à sarna, foram tratadas e ficaram boas, mas também há outro em que as manchas não eram características de escabiose.
“Tem um outro grupo, também muito extenso, em que as lesões não eram características de escabiose e não melhoraram. Eram lesões muito parecidas com picadas de inseto mesmo ou de alergia. Então, aí, realmente, não tem como dizer que seja uma escabiose resistente a ivermectina”, disse.

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