Cientistas europeus traçam origem da Peste Negra

No século XIV, a pandemia de Peste Negra atingiu a Europa, resultando em mais de 25 milhões de mortes só no continente, entre 1347 e 1351. Causada por infecção da bactéria Yersinia pestis, manifestava-se de duas formas: como peste bubônica, transmitida por pulgas e ratos, ou como peste pneumônica, transmitida entre pessoas — as manchas escuras na pele das pessoas infectadas são a razão do nome. Até agora, acreditava-se que tinha origem na China e na Ásia Central, e foi transportada para o território europeu quando um exército mongol atacou um porto na Crimeia, em 1346. Esta semana, cientistas europeus mostraram que o epicentro talvez tenha sido um entreposto na Rota da Seda, na região do Quirguistão, uma rede de vias interligadas através da Ásia do Sul, usadas no comércio entre o Oriente e a Europa.
O estudo publicado na revista Nature revela que os cientistas examinaram material genético dos dentes de três mulheres enterradas em uma comunidade no vale de Chu, perto do lago Issyk Kul, no sopé das montanhas Tian Sha, e encontraram impressões da bactéria Yersinia pestis. Os cemitérios de Kara-Djigach e Burana continham um grande número de lápides datadas de 1338 e 1339, dez das quais faziam referência explícita a uma peste. “É como encontrar o lugar onde todas as cepas se juntam, como no coronavírus (Alpha, Delta, Ômicron), proveniente da cepa em Wuhan”, disse à publicação científica o paleogeneticista Johannes Krause, do Instituto Max Planck de Leipzig, um dos líderes do levantamento.
Segundo a arqueogeneticista Maria Spyrou, da Universidade de Tübingen, principal signatária da pesquisa, várias hipóteses diferentes sugerem que a pandemia pode ter se originado no leste da Ásia, na China; na Ásia Central, na Índia, ou mesmo perto de onde os primeiros surtos foram documentados, em 1346, nas regiões do Mar Negro e do Mar Cáspio. “Sabemos que o comércio foi provavelmente um fator determinante para a dispersão na Europa durante o início da Peste Negra”, disse ela à agência Reuters. “É razoável supor que processos semelhantes determinaram a propagação da doença da Ásia Central para o Mar Negro entre 1338 e 1346.”
Sharon DeWitte, da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, que não esteve envolvida no estudo, disse à agência Reuters que é emocionante ter evidências de DNA para apoiar a teoria anterior de que a doença surgiu na Ásia Central. “Este estudo é importante porque os enterros datados com muita precisão permitem um estudo direto da cepa como existia no momento do surgimento inicial da Peste Negra”, disse ela. Embora os autores reconheçam que é teoricamente possível que a bactéria tenha se originado em outro lugar e se espalhado para a Ásia Central sem mudar significativamente, as evidências sugerem que isso é improvável.
Fonte: VEJA

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