Brasil: Valor da refeição do preso é maior que a do policial civil

Quentinhas para presos custam R$ 20, mas as dos agentes não podem passar de R$ 13,20. Medida prevê que policiais são obrigados a comprar refeição para detentos
Valor gasto com alimentação de presos está causando indignação entre os policiais nas delegacias. Foto: Maurício Gil
Medida adotada há cerca de dois meses pela Chefia de Polícia Civil está causando polêmica nas delegacias. Desde maio, distritais estão sendo notificadas para que seus agentes passem a comprar quentinhas para presos que permanecerem por mais de 12 horas na carceragem. Além de serem obrigados a deixar a delegacia para comprar comida para os presos, os policiais reclamam que o valor gasto com a alimentação dos presos é maior do que o gasto com eles próprios. O valor diário do vale refeição de um agente da polícia é R$ 13,20. Já o preso tem direito a uma alimentação no valor de R$ 20 (52% a mais).
Dizendo-se humilhada, a categoria já começa a se mobilizar nas DPs para cobrar aumento no valor do vale alimentação dos agentes, a fim de que sejam equiparados aos dos presos. “Temos que ir às ruas mostrar nossa indignação. Essa distorção representa o quando o Estado quer uma polícia qualificada e valorizada. Não fica por aí, o preço gasto com um preso ultrapassa R$ 900 e hoje o trabalhador que levanta cedo, pega duas ou três conduções para chegar ao trabalho recebe pouco mais de R$ 600 [referindo-se ao salário mínimo]. Vejo isso com muita tristeza”, declara o diretor do Sindicado dos Policiais Civis (SindPol), Franklin Bertholdo, lembrando que o valor da alimentação dos professores da rede pública também é menor que a dos presos: R$ 8 por dia. “Ou seja, a alimentação dos presos custa 150% a mais que a do professor”, compara.
A indignação nas delegacias provoca desconforto entre agentes e a cúpula da polícia. “Criminosos estão sendo privilegiados. Não é sempre que solicitamos esse valor da refeição, pois muitas vezes o preso é trazido pela Polícia Militar durante a noite e logo pela manhã são transferidos, ficando a cargo do presídio a alimentação do preso. Mas, certamente, é um desrespeito com os agentes da segurança pública que têm que ir à rua para comprar quentinha para preso”, dispara um policial que pediu para não ser identificado.
A verba para a alimentação do detento não é enviada compulsoriamente para as delegacias. As distritais, que atuem ou não como centrais de flagrantes, devem solicitar a quantia sempre que verificarem que o preso vai ficar sob seus cuidados por mais de 12 horas. Um plantonista de uma DP conta que sempre que um preso fica a seus cuidados, precisa solicitar auxílio.
“É humilhante. Nossa função é prender as pessoas que são uma ameaça para a sociedade por não cumprirem as leis e, para essa mesma lei, eles são mais valorizados do que nós, que temos por profissão fazer que com essa lei se cumpra”, reclamou outro agente.
Procurada, a assessoria da Polícia Civil não se pronunciou sobre as reivindicações até o fechamento desta edição.
Colaborou Cláudio Emanuel
Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br

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