'Quem não gostaria de colocar o Pelé em campo?', diz ministro sobre Lula

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No momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofre pressão do PT e do governo para assumir uma pasta na gestão Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, afirmou nesta quarta-feira (9) que depende do petista a decisão de ocupar um lugar na Esplanada dos Ministérios.
Segundo o ministro, que se apropriou do estilo Lula de utilizar metáforas futebolísticas, "a bola sempre esteve com ele". "Qual time não gostaria de colocar o Pelé em campo?", questionou, comparando o ex-presidente ao ex-jogador de futebol.
Segundo relato de amigos, Lula não aceitaria um cargo no governo federal para fugir do juiz Sergio Mouro, que, na semana passada, autorizou uma operação da Lava Jato que teve o ex-presidente como foco principal, determinando inclusive sua condução coercitiva para depoimento na Polícia Federal.
A reportagem da Folha questionou um interlocutor de Lula se a afirmação do ex-presidente não deixava uma porta aberta para aceitar um convite para um cargo com participação efetiva e direta nos rumos do governo Dilma. Ele respondeu que o ex-presidente fez questão de dizer que não aceitaria um convite se fosse para escapar do juiz de Curitiba, mas não avançou mais sobre o caso.
O interlocutor admitiu que o ex-presidente estava preocupado em ajudar o governo Dilma a sair da crise e, nesta linha, só faria sentido ele assumir uma pasta central no governo. Segundo a Folha apurou, petistas estariam sugerindo que ele assumisse a Secretaria de Governo no lugar de Berzoini, que poderia ser seu secretário-executivo.
NOMES DE PESO
Numa hipótese de Lula assumir uma pasta deste porte, interlocutores do ex-presidente acreditam que ele conseguiria trazer para o governo dois nomes de peso: Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e Nelson Jobim para o da Justiça, na busca de dar uma "chacoalhada" no governo.
No caso de Jobim, um problema potencial é o fato de que ele é um dos principais consultores das defesas de empreiteiras acusadas na Operação Lava Jato, assumindo o papel de coordenador informal delas após a morte do criminalista Márcio Thomaz Bastos.
Uma indicação sua para comandar, hierarquicamente, a Polícia Federal seria vista ao menos simbolicamente como uma tentativa de controle sobre a entidade responsável pela logística das ações da Lava Jato.
Em favor de Jobim, a vasta experiência e trânsito político –já foi, inclusive, titular da Justiça nos dois primeiros anos do governo FHC. Depois, foi ministro do Supremo Tribunal Federal e ficou à frente da Defesa entre 2007 e 2011.
A dúvida se Lula virá mesmo a aceitar o convite reside em dois pontos. Primeiro, diante da avaliação de aliados e auxiliares de que aceitar assumir uma pasta neste momento seria interpretado como uma "confissão de culpa", como se ele quisesse escapar do juiz Sergio Moro, o que o próprio Lula diz ser contra.
Em segundo lugar, porque, a depender do cargo, ele poderia transformar a presidente Dilma numa "rainha da Inglaterra", passando a assumir o comando do governo da petista.
Em jantar no Palácio do Alvorada na noite de terça-feira (8), Lula rechaçou a possibilidade de assumir um ministério no governo Dilma, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem. O tema foi abordado rapidamente durante o encontro, mas, antes mesmo que chegasse a ser feito um convite formal, o petista fez questão de negar a intenção.
Dilma aceitou oferecer um ministério a seu antecessor para evitar que ele possa ser preso no rastro da Operação Lava Jato, como mostrou nesta quarta-feira a coluna Painel.
Mas a ideia inicial seria oferecer ao petista o comando do Ministério das Comunicações, atualmente sob o comando de André Figueiredo, ex-líder do PDT na Câmara dos Deputados, ou de Relações Exteriores, no lugar do diplomata Mauro Vieira.
Estas soluções, porém, não seriam do agrado de Lula, porque passariam exatamente a mensagem de que ele aceitou apenas como uma "proteção" contra a Operação Lava Jato.
O jantar no Palácio da Alvorada, entre Dilma e Lula, teve ainda as participações do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e dos ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini.
No encontro, segundo relatos de presentes, o petista voltou a criticar o que chamou de excessos da Polícia Federal e defendeu que o governo federal reaja ao cerco que tem sofrido pela Lava Jato.
Pedro Ladeira/Folhapress 

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