Grupo que cuspiu, vomitou e defecou em fotos de políticos recebe ameaças de morte

23.abr.2016 - Foto do deputado Jair Bolsonaro ao fim da performance do grupo Desvio Coletivo, no vão livre do Masp, em São Paulo
Artistas do grupo Desvio Coletivo estão recebendo ameaças de morte após a performance "Máfia – Exposição Interativa'', realizada no último dia 23, no vão livre do Masp, na avenida Paulista, em São Paulo.
Na ocasião, eles cuspiram e vomitaram em fotos de 38 políticos. Um registro do ato em vídeo foi postado na página do grupo no Facebook.
O post teve 'milhares' de curtidas e compartilhamentos. Com a repercussão, a artista e ativista Priscila Toscano, diretora artística da performance, vem sendo o principal alvo dos ataques. Durante o ato, ela chamou a atenção ao urinar e defecar na foto do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que homenageou o torturador da ditadura Coronel Ustra ao declarar seu voto no plenário da Câmara a favor do impeachment.
"Estou recebendo ameaças à minha integridade física. Tive que cancelar meu perfil no Facebook, criaram uma página com o meu nome para me atacar. Por ser mulher, recebi comentários ultraconservadores e machistas, além de mensagens de ódio por e-mail", contou Priscila, que pretende tomar medidas judiciais cabíveis contra as ofensas que vem sofrendo.
"Agora estou lidando com um crime. Passou da esfera da discussão política. Opinião, claro, todos podem dar, o que não se pode é entrar na esfera privada. Expor a minha família e usar a minha vida como juízo de valor. Me sinto violada, estão ferindo minha privacidade", declarou.
Segundo Marcos Bulhões, diretor artístico da performance ao lado de Priscila, a maioria das ameaças parte de pessoas que "seguem o perfil do deputado Jair Bolsonaro e que exaltam a ditadura militar".
"Nosso vídeo foi postado em diversas páginas que tiraram nossa ação do contexto. Não somos ativistas do PT. Somos um grupo independente de partidos, não temos financiamento de órgão público. O objetivo da performance é a criminalização do homem público no Brasil. Nossa primeira iniciativa foi uma reação à hipocrisia do domingo da votação, em que deputados envolvidos em crimes de corrupção estavam votando para o fim da corrupção", disse.
Para Bulhões, a atitude de Priscila, ao defecar na imagem de Bolsonaro, foi um ato radical para "levantar um questionamento crítico e dar um choque na percepção do público que está anestesiado e dominado por uma ideologia". "Escatologia é a declaração do deputado [Jair Bolsonaro], que elogiou um ditador. Isso é execrável. Isso não pode passar batido. Deve ser ressaltado em todas as instâncias, inclusive no campo da arte", afirmou.
Apesar das ameaças, o grupo Desvio Coletivo não pensa em parar com suas ações. "Não podemos esmorecer frente a esta onda fascista de repressão à liberdade artística", ressalta Bulhões. "Muitas pessoas participaram do ato e cuspiram também. É uma reação radical? É. Que fere o suposto bom senso, mas também consideramos que os congressistas corruptos votando contra a corrupção é mais que ferir o bom senso. É uma afronta à inteligência dos brasileiros", completou.
Para Priscila, este não é o momento de recuar. "É o meu trabalho. Eu sou performance. Eu sei da minha condição enquanto artista e ativista, e este não é o momento de recuar. É o momento de manter minha convicção política e artística. Não vou me calar diante de ameaças criminosas."
Diana Carvalho / Do BOL, em São Paulo
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