
O corpo de Dante de Brito Michelini, de 76 anos, foi encontrado decapitado e carbonizado em uma propriedade rural em Guarapari, no Espírito Santo. O crime ocorreu na última terça-feira (02), em um sítio na região de Meaípe, onde a vítima residia. A Polícia Civil trata o caso como homicídio e aguarda exames de DNA para a confirmação técnica da identidade, embora familiares já tenham reconhecido o corpo no local.
Michelini foi um dos principais acusados no caso Araceli Cabrera Crespo, ocorrido em 1973. Ele chegou a ser condenado em primeira instância em 1980, mas a sentença acabou anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Anos depois, os réus foram absolvidos por falta de provas, e o assassinato da menina, morta aos oito anos, permanece sem punição oficial.
A morte de Dante Michelini, membro de uma das famílias mais tradicionais da capital capixaba, levanta novos questionamentos sobre o desfecho de sua trajetória pessoal e o histórico de impunidade que envolve o caso Araceli. Até o momento, a cabeça da vítima não foi localizada pelas autoridades, e as investigações prosseguem para identificar os responsáveis pelo crime no sítio. A família, que historicamente evitou declarações públicas, não se manifestou sobre o ocorrido. (Bacci Notícias)
O caso Araceli e a campanha Maio Laranja em combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil
No dia 18 de maio de 1973, sexta feira, Araceli parou para fazer carinho em gatinhos de rua antes de pegar o ônibus que a levava da escola de volta para casa. A distração, típica da ingenuidade de uma menininha de 8 anos, era habitual, sua mãe, Lola, sabia que a filha amava conversar com os coleguinhas da escola e brincar com animais antes de voltar para sua casa. Mas, depois daquele dia, ela nunca mais voltou. Araceli Cabrera Crespo foi sequestrada, dopada, violentada sexualmente, espancada e assassinada. Seu corpo só foi encontrado seis dias depois, em um terreno baldio, completamente desfigurado. Ácido e soda cáustica foram jogados sobre ela, numa tentativa brutal e fria de apagar os vestígios do crime — os vestígios de uma vida.
Meio século depois, os gritos silenciados da bela garotinha, ecoam pelo país que transformou essa dor em luta. Desde o ano 2000, 18 de maio se tornou oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, graças à Lei nº 9.970/2000. A data não foi escolhida por acaso — ela carrega o nome, o rosto e a memória de Araceli.
O caso foi marcado por polêmicas, escândalos de corrupção e principalmente injustiça, já que os criminosos nunca foram responsabilizados e vagam por aí em liberdade. A impunidade, foi mais uma camada de violência não só contra Araceli, mas contra toda uma sociedade que, naquele momento, percebeu que nem sempre a justiça alcança quem deveria. E, infelizmente, 50 anos depois, essa realidade continua ecoando nas estatísticas assustadoras que desenham o cenário da violência sexual infantil no país- uma tragédia escandalosamente silenciosa. Dados da Childhood Brasil revelam que apenas 10% dos casos são oficialmente denunciados. Isso significa que, se em um ano foram registradas 102 mil denúncias, na realidade, esse número pode ultrapassar um milhão de casos, que seguem escondidos. Os números são cruéis. Só em 2023, foram registrados 74.930 casos de estupro contra menores, o maior número da história.
O mês de maio ficou conhecido como o Maio Laranja, simbolizando a luta, a resistência e a esperança de um futuro onde nenhuma criança tenha sua história interrompida por abuso ou impunidade. Muito mais que uma data, é um convite desesperado à sociedade para olhar e agir contra a violência que arrancou, de forma brutal, o sorriso e os sonhos de Araceli. O Maio Laranja é um memorial. Mas, a luta é tão permanente quanto a memória. Os números escancaram uma realidade perturbadora: a cada hora, três crianças são abusadas no Brasil. A maioria delas, meninas. A maioria, negras. A maioria, dentro da própria casa — justamente onde deveriam estar protegidas. Crianças que vivem no medo, no silêncio e na dor, que olham para seus agressores à mesa do café, escutam ameaças e têm seus gritos abafados por uma sociedade que, muitas vezes, escolhe não se envolver.
Algumas vidas não se recuperam. Mas suas histórias continuam vivas. E gritam. Gritam para que nunca mais uma criança tenha que viver o horror que Araceli viveu. Gritam para que os olhos da sociedade não se fechem. Gritam para que cada um entenda que proteger a infância não é escolha. É dever. O silêncio é cumplice dos abusadores e é justamente contra eles que se luta. Araceli não pode viver, mas seu nome vive. (Por Bela Garcia)
Michelini foi um dos principais acusados no caso Araceli Cabrera Crespo, ocorrido em 1973. Ele chegou a ser condenado em primeira instância em 1980, mas a sentença acabou anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Anos depois, os réus foram absolvidos por falta de provas, e o assassinato da menina, morta aos oito anos, permanece sem punição oficial.
A morte de Dante Michelini, membro de uma das famílias mais tradicionais da capital capixaba, levanta novos questionamentos sobre o desfecho de sua trajetória pessoal e o histórico de impunidade que envolve o caso Araceli. Até o momento, a cabeça da vítima não foi localizada pelas autoridades, e as investigações prosseguem para identificar os responsáveis pelo crime no sítio. A família, que historicamente evitou declarações públicas, não se manifestou sobre o ocorrido. (Bacci Notícias)
O caso Araceli e a campanha Maio Laranja em combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil
No dia 18 de maio de 1973, sexta feira, Araceli parou para fazer carinho em gatinhos de rua antes de pegar o ônibus que a levava da escola de volta para casa. A distração, típica da ingenuidade de uma menininha de 8 anos, era habitual, sua mãe, Lola, sabia que a filha amava conversar com os coleguinhas da escola e brincar com animais antes de voltar para sua casa. Mas, depois daquele dia, ela nunca mais voltou. Araceli Cabrera Crespo foi sequestrada, dopada, violentada sexualmente, espancada e assassinada. Seu corpo só foi encontrado seis dias depois, em um terreno baldio, completamente desfigurado. Ácido e soda cáustica foram jogados sobre ela, numa tentativa brutal e fria de apagar os vestígios do crime — os vestígios de uma vida.
Meio século depois, os gritos silenciados da bela garotinha, ecoam pelo país que transformou essa dor em luta. Desde o ano 2000, 18 de maio se tornou oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, graças à Lei nº 9.970/2000. A data não foi escolhida por acaso — ela carrega o nome, o rosto e a memória de Araceli.
O caso foi marcado por polêmicas, escândalos de corrupção e principalmente injustiça, já que os criminosos nunca foram responsabilizados e vagam por aí em liberdade. A impunidade, foi mais uma camada de violência não só contra Araceli, mas contra toda uma sociedade que, naquele momento, percebeu que nem sempre a justiça alcança quem deveria. E, infelizmente, 50 anos depois, essa realidade continua ecoando nas estatísticas assustadoras que desenham o cenário da violência sexual infantil no país- uma tragédia escandalosamente silenciosa. Dados da Childhood Brasil revelam que apenas 10% dos casos são oficialmente denunciados. Isso significa que, se em um ano foram registradas 102 mil denúncias, na realidade, esse número pode ultrapassar um milhão de casos, que seguem escondidos. Os números são cruéis. Só em 2023, foram registrados 74.930 casos de estupro contra menores, o maior número da história.
O mês de maio ficou conhecido como o Maio Laranja, simbolizando a luta, a resistência e a esperança de um futuro onde nenhuma criança tenha sua história interrompida por abuso ou impunidade. Muito mais que uma data, é um convite desesperado à sociedade para olhar e agir contra a violência que arrancou, de forma brutal, o sorriso e os sonhos de Araceli. O Maio Laranja é um memorial. Mas, a luta é tão permanente quanto a memória. Os números escancaram uma realidade perturbadora: a cada hora, três crianças são abusadas no Brasil. A maioria delas, meninas. A maioria, negras. A maioria, dentro da própria casa — justamente onde deveriam estar protegidas. Crianças que vivem no medo, no silêncio e na dor, que olham para seus agressores à mesa do café, escutam ameaças e têm seus gritos abafados por uma sociedade que, muitas vezes, escolhe não se envolver.
Algumas vidas não se recuperam. Mas suas histórias continuam vivas. E gritam. Gritam para que nunca mais uma criança tenha que viver o horror que Araceli viveu. Gritam para que os olhos da sociedade não se fechem. Gritam para que cada um entenda que proteger a infância não é escolha. É dever. O silêncio é cumplice dos abusadores e é justamente contra eles que se luta. Araceli não pode viver, mas seu nome vive. (Por Bela Garcia)


